sábado, 12 de dezembro de 2015

PARTE QUATRO


25. KASIBHARADVAJASUTTAM

Discurso sobre Kasibharadvaja

Assim foi ouvido por mim:
Certa vez o Louvado permanecia em Magadha, no (mosteiro) Dakkhinagiri, na vila brâ-mane de Ekanala. E naquele tempo, em verdade, cerca de quinhentas charruas para arar do brâmane Kasibharadvaja estavam ocupadas durante o tempo de semeadura.  Então, em verdade, o Sublime, pela manhã, vestindo-se e tomando cuia e manto, aproximou-se de onde o trabalho do brâmane Kasibharadvaja se realizava. E, naquela hora, em verda-de, a distribuição de comida pelo brâmane Kasibharadvaja estava sendo carreada. Então, em verdade, o Sublime se aproximou do local onde se fazia a distribuição de comida.

Tendo-se aproximado, manteve-se de pé ao lado. O brâmane Kasibharadvaja viu o Su-blime esperando por comida.  Tendo-o visto, falou então para o Sublime: “Em verdade, ó asceta, eu aro e semeio. Tendo arado e semeado, eu como. Você, ó asceta, também ara e semeia. Tendo arado e semeado, você come”.

(O Sublime disse:) “Ó brahmane, Eu em verdade também arei e semeei. Tendo arado e semeado, eu como”.

(Kasibharadvaja:) “Nós, em verdade, nunca vimos nem a parelha, nem a charrua para arar, nem a relha do arado, nem a cabra, nem o boi que pertençam ao honorável Gota-ma”.

Então, mais, o venerável Gotama disse assim: “Eu também, em verdade, ó brâmane, arei e semeei. Tendo arado e semeado. Eu como”.

Então, em verdade, o brâmane Kasibharadvaja falou para o Sublime uma estrofe:
1. Você admite que arou; mas não vemos seu arado; sendo questionado por nós sobre isto, mostre o arar que possamos ver.

2. (O Sublime:) “A fé é a semente, a devoção mental é a chuva; a sabedoria minha parelha e arado; humildade, a vara de arar; a mente, o laço da parelha; plena a-tenção, a relha do arado e a cabra.

3. O corpo está controlado, as palavras também, a alimentação controlada de a-cordo com o estômago, faço da verdade o ceifeiro, o freio minha emancipação.

4. Aquele esforço de escavação é apto a ser emparelhado para a junta, o carrega-dor para a paz derivada da bondade, vai sem uma parada, para onde vão os que não se lamentam.

5. Assim o arar tem sido arado por mim; o que leva aos frutos da imortalidade: Quem arar este arar se libertará do sofrimento”.

Então, em verdade, o brâmane Kasibharadvaja providenciou arroz com leite dentro de uma larga tigela de ouro e ofereceu ao Sublime, dizendo: “Possa o respeitável Gotame partilhar do arroz com leite, o respeitável Lavrador, o respeitável Gotama que ara o ar-roz que produz imortal fruto”.

6. (O Sublime:) “O que é ganho cantando versos não pode ser comido por mim; ó brâmane, tal não é a natureza das coisas para quem claramente vê. Os Buddhas absolutamente afastam o que é ganho cantando. Quando há boa conduta, ó brâmane, esta é o meio de vida.

7. Outro grande sábio que é todo realizado, destruídas as influências, acalmado o aborrecimento, atende com comida e bebida; este é o campo só para quem só espera mérito”.

(Kasibharadvaja:) “Então para quem posso eu ofertar, respeitável Gotama, este arroz com leite?”

(O Sublime:) “Em verdade, ó brâmane, Eu não vejo no mundo, com todos os devas, Ma-ras e brahmas, ou entre os seres, com os ascetas, e brâmanes, com seus devas e seres humanos, quem possa comer este arroz com leite, sendo bem digerido, exceto o Con-quistador, ou o discípulo do Conquistador. Entretanto, em verdade, você, ó brâmane, deite este arroz com leite num lugar deserto onde não haja verde ou numa água onde não haja seres vivos”.

Então, em verdade, o brâmane Kasibharadvaja deitou aquele arroz com leite numa água morta, onde não havia seres vivos. E aquele arroz com leite quando inserido na água começou a efervescer, a sibilar, soltando grossa fumaça, expelindo forte exalação fume-gante. Como um arado aquecido sob o sol durante o dia, quando inserido na água come-ça a efervescer, a sibilar, similarmente aquele arroz com leite quando depositado na á-gua efervesceu. Então o brâmane Kasibharadvaja, agitado, horrorizado, se aproximou de onde estava o Sublime, deitando-se diante dele com a cabeça a seus pés, e falou: “É ex-tremamente incrível, ó respeitável Gotama, é extremamente incrível. Como se desviasse o vaso emborcado, ou como o que estivesse fechado se abrisse, ou uma via para quem se tivesse perdido, ou uma lâmpada de óleo na noite escura, desta maneira o Dhamma foi bem declarado pelo respeitável Gotama de diversos modos. Eu me refúgio no respeitá-vel Gotama, no Dhamma e na multidão dos monges. Possa eu receber ordenação na sua presença, possa eu receber a alta ordenação”.

O brâmane Kasibharadvaja recebeu a ordenação na presença do Sublime, ele recebeu a alta ordenação.
Então não muito depois de ordenado, vivendo de esmolas, retirado, diligente, zeloso, de resoluta vontade, não muito depois, ainda em vida, ele havia realizado, através da in-trospecção, aquele Estado para o qual a vida pura é o fim, o qual é incomparável, para o qual jovens de boa família corretamente deixam suas famílias e são ordenados, simila-res, conseguindo seus objetivos em vida. Ele estava cônscio de que o nascimento se ex-tinguira, a vida pura havia sido vivida, os trabalhos realizados, cônscio de que não havia nada além daquele movimento de vir-a-ser. Então o venerável Bharadvaja se tornou um Arahant!

26. PARABHAVASUTTAM

Discurso sobre a ruína

Assim foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, no Bosque Jeta, no parque de Anathapin-dika, quando, estando a noite já muito avançada, uma divindade de surpreendente fais-cação, iluminando inteiramente o Bosque Jeta, se aproximou de onde estava o Sublime. E tendo chegado reverenciou-O, permanecendo a seu lado, após o que proferiu para Ele a seguinte estrofe:
1.  Quem ou o que arruina o homem?
Perguntamos a você, Gotama.
Vimos ao Sublime perguntar
Qual a causa do homem arruinado.

2.  (O Sublime:)  A prosperidade é facilmente reconhecida.
A ruína também é;
A virtude faz o homem próspero
A imperfeição é sua ruína.

3.  (A Divindade:)  Isto na verdade sabemos
Esta primeira causa da ruína.
Que o Sublime nós diga a segunda.
Causa da ruína do homem?

4  Ele gosta do Mal
Ele detesta o Bem
Ele segue a doutrina do Mal
E isto é sua ruína.

5.  (A Divindade:) Isto na verdade sabemos
Esta segunda causa da ruína
Que o Sublime nos diga a terceira
Causa da ruína do arruinado.

6.  (O Sublime:) Amigo do sono, influenciável pela companhia
Aquele homem inerte, preguiçoso, fraco
Sua marca distintiva é o ódio
E isto é causa de sua ruína.

7.  Isto na verdade sabemos
Esta terceira causa.
Que o Sublime nos diga a quarta
Causa do arruinado.

8.  Ele é quem, sendo rico,
Não cuida da mãe e do pai
Que perderam a mocidade.
E isto é causa de sua ruína.

9.  Isto na verdade sabemos,
Esta é a quarta causa.
Que o Sublime nos diga a quinta
Causa do arruinado.

10. Ele é quem, sendo brâmane,
Asceta ou caminhante,
Engana pela mentira,
Isto causa sua ruína.

11. Isto até que sabemos
A quinta causa da ruína.
Que o Sublime nos dê a sexta
Causa da ruína do homem.

12. Ele tem imensa fortuna
Como ouro, como terras
E sozinho come manjares.
Isto vai arruiná-lo.

13. Até que isto sabemos
Esta sexta causa da ruína.
Ó Senhor, dê-nos a sétima
Causa do homem arruinado.

14. Racista, discriminando os homens pela riqueza,
Ele é obstinado por sua classe social.
Despreza os parentes pobres.
Isso é causa de ruína.

15. Mas isso sabemos nós
Sétima causa da ruína.
Dê-nos agora a oitava
Causa do homem arruinado.

16. Sensual e beberrão
Ele gosta de jogar a dinheiro
E gasta tudo o que ganha
Isto é causa da ruína.

17. Mas já sabemos nós
Oitava causa é esta.
Dê-nos agora a nona,
Causa do arruinamento do homem.

18. Insatisfeito com sua esposa
Ele procura cortesãs
E mesmo mulheres casadas
Isto causa sua ruína.

19. Sim sabemos nós
Esta causa é a nona.
Mas, Buddha, dê-nos a décima
Causa da ruína do homem.

20. Com uma menina nova
O velho é visto casar.
De ciúme ele não dorme
E isto causa sua ruína.

21. Mas já sabemos nós
As dez causas da ruína
A décima-primeira causa
Diga-nos agora pois.

22. A uma mulher gastadora
Ou a um homem de igual sorte
Ele entrega a direção de seus bens.
Isto causa a sua ruína.

23. É o que sabemos nós,
Décima-primeira causa de ruína
Senhor, a décima-segunda
Fale agora para nós.

24. (O Sublime:) Com pouca fortuna e muito apego
Em família real nato.
E deseja governar.
Isto causa sua ruína.

25. (O Sublime:) Neste mundo, estas ruínas
O Sábio as considera.
O nobre homem, criterioso,
Se associa à segurança.

27. VASALASUTTAM

Discurso sobre os proscritos

Assim foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, no Bosque Jeta, no Parque de Anathapin-dika quando, pela manhã, vestindo-se e tomando a cuia e o manto entrou em Savatthi para alimentar-se. Neste tempo, então, na casa do brâmane Aggikabbharadvja o fogo es-tava aceso e começava a oblação. O Sublime, como andava de casa em casa para esmo-lar comida, aproximou-se da residência do brâmane Aggikabharadvaja que, vendo-O ao longe, gritou: “Careca, fica longe, asceta, lá, proscrito, lá”. Quando isto foi dito, o Su-blime falou para o brâmane Aggikabharadvaja assim:
- “Ó brâmane, você sabe quem é um proscrito ou quais as condições fazem um proscri-to?”.
- “Eu, na realidade não sei, venerável Gotama, quem é um proscrito ou as condições que o fazem. Gostaria que o venerável Gomata mas dissesse para que eu pudesse sa-ber”.
- “Então, ó brâmane, ouça e guarde bem na sua mente. Eu vou dizer”.
- Sim, Senhor”, respondeu o brâmane Aggikabharadvaja para o Sublime.
O Sublime falou assim:
1.  Se um homem é mal e hipócrita,
Tendo ódio e má-vontade,
Escondendo à visão, enganador
• Conheça-o como um proscrito.

2.  Uma ou duas vezes nascido
Aqui, seres vivos, se alguém os fere
Não tendo nenhum amor pelos vivos,
• Conheça-o como proscrito.

3.  Ele que destrói e sitia
Vilas e subúrbios
Visto como destruidor
• Conheça-o como proscrito.

4.  Na cidade ou no campo
Aquilo que pertence aos outros
Através do roubo toma o que não lhe vem.
• Conheça-o como proscrito.

5.  Quem, em verdade, tomando emprestado
Ou sendo responsável, vai-se embora
Dizendo “Não há empréstimo devido a você”
• Conheça-o como proscrito.

6.  Quem, desejoso de algo
Na estrada freqüentada pelo povo
Mata e assalta de qualquer maneira
• Conheça-o como proscrito.

7.  Quem, para ganhar para si ou para os outros
Ou para aquisição de fortuna
Chamado a testemunha diz o que não é verdade
• Conheça-o como proscrito.

8.  Quem, seja dos parentes ou dos amigos
Entre as esposas é visto
Seja pela força ou mútuo consentimento
• Conheça-o como proscrito.

9.  Quem, tendo a mãe ou o pai
Velhos, da mocidade afastados,
Sendo rico não os mantêm.
• Conheça-o como proscrito.

10. Quem, à mãe, ao pai,
Ao irmão, à irmã, aos cunhados
Magoa e agride com a fala
• Conheça-o como proscrito.

11. Quem, perguntado sobre a moralidade
Aconselha o prejudicial
Dá dissimulados conselhos
• Conheça-o como proscrito.

12. Quem, tendo feito uma ação perversa
Deseja:  “Que não me tenham visto”.
Quem é de ação escondida
• Conheça-o como proscrito.

13. Quem, tendo ido a casa de outro,
E adequadamente comeu e bebeu
Dele não cuida quando ele chega
• Conheça-o como proscrito.

14. Quem, a um brâmane ou asceta,
Ou a algum outro caminhante,
Engana com impostura
• Conheça-o como proscrito.

15. Quem, a um brâmane ou asceta,
Na hora em que os monges esmolam
Vocifera e não dá comida
• Conheça-o como proscrito.

16. Quem, dizendo o que não é real,
Tomado pela paixão
Deseja qualquer coisa
• Conheça-o como proscrito

17. Quem louva a si próprio
E despreza os demais
Diminue-os por seu orgulho
• Conheça-o como proscrito.

18. Irado e mesquinho
Desejoso do mal, avaro, astucioso
Impudico, inescrupuloso
• Conheça-o como proscrito.

19. Quem ultraja o Buddha
A qualquer discípulo seu,
A um viajante ou a um dono de casa
• Conheça-o como proscrito.

20. Quem, sem ser um Digno
Professa como Digno
É ladrão no mundo, incluindo os brâmanes,
Este, em verdade, é o pior dos proscritos
Eles, em verdade, têm falado como proscritos
Por mim, eles são declarados assim para você.

21. Pelo nascimento ninguém é proscrito
Pelo nascimento ninguém é brâmane (ou nobre)
Pela ação alguém é proscrito
Pela ação alguém é brâmane (ou nobre)

22. Conheça aquilo por isto
Justamente este é o exemplo:
Sopaka, filho de um proscrito,
Mais conhecido como Matanga,
Alcançou a mais alta fama
Este Matanga, de fama mui rara.
Vinham a ele, por atenção,
Os Khattiyas (realezas) e os brâmanes.
Ele, ascendendo a divina carruagem,
Ele, que é livre de paixão, de grande caminho,
Abandonando o desejo e a paixão
Foi para o mundo dos Brahmas (deuses).

23. Seu nascimento não o impediu
De nascer no mundo dos deuses.
Nascidos em família erudita
Brâmanes, concernentes aos mantras,
Eles por má ação,
São vistos constantemente
Neste mundo  mesmo censuráveis.
Depois deste mundo (vão) a um estágio de sofrimento
O nascimento não os impediu
De ir a um estágio de sofrimento
Ou censura.

24. Pelo nascimento ninguém é um proscrito
Pelo nascimento ninguém é um brâmane,
Pela ação alguém é proscrito
Pela ação alguém é brâmane.

Quando isto foi dito, o brâmane Aggikabharadvaja falou para o Sublime assim: “Exce-lente, ó venerável Gotama, Excelente, ó venerável Gotama. Como se desvirasse o vaso emborcado, ou como o que estivesse fechado se abrisse, ou uma via para quem se tives-se perdido, uma lâmpada de óleo na noite escura, com o pensamento: “Quem tiver olhos que veja as formas”, assim o venerável Gotama, de diversos modos, declarou o Dham-ma. Que eu tome refúgio no venerável Gotama, no Dhamma e na multidão dos monges. Possa eu ser aceito como leigo até o fim de minha vida.

28. SACCAVIBHANGASUTTAM

Discurso da Classificação das Verdades
[Um dos textos mais importantes do budismo]

Assim foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Baranasi, Isipatana, Parque das Gazelas, quando se dirigiu aos monges: “pelo Conquistador, ó Monges, pelo Digno, pelo Supremamente I-luminado a insuperável Roda do Dhamma foi posta em Ação, o que não pode ser rever-tido por nenhum asceta, ou brâmane, ou deva, ou mara, ou brahma ou por ninguém neste mundo, que é o anúncio, a instrução, a descoberta, a classificação, a abertura, a distin-ção, a manifestação das Quatro Nobres Verdades. Quais são as quatro?  O anúncio ..... a manifestação da Nobre Verdade do Sofrimento. O anúncio ..... da Nobre Verdade do surgir do Sofrimento. O anúncio da Nobre Verdade da Extinção do Sofrimento. O anún-cio da Nobre Verdade do Caminho que leva à Extinção do Sofrimento, o anúncio das Quatro Nobres Verdades, ó monges, associado a Sariputta e Moggallana, mantendo a companhia de Sariputta e Moggallana. Eles são monges sábios e puros que ajudam. Como uma mãe é Sariputta. Como uma ama de leite é Moggallana, Ó monges. Sariputta apontou para o fruto de Sotapatti. Moggallana experimentou o altíssimo benefício da Nibbana. Sariputta, ó monges, é capaz de anunciar, instruir, abrir, expor, desenvolver, distinguir, manifestar as Quatro Nobres Verdades em detalhes”. O Sublime disse isto. Dito isto, o Conquistador, tendo-se levantado, foi para o Mosteiro. Então, em verdade, o Venerável Sariputta, não muito depois de ter saído o Sublime, se dirigiu aos monges: “Ó amigos monges”.  “(Sim) amigo”, responderam aqueles monges para o venerável Sari-putta.
O Venerável Sariputta falou então: “Pelo Conquistador, ó amigos, ..... o anúncio das Quatro Nobres Verdades.
“Que é, ó amigos, a Nobre Verdade do Sofrimento? Nascer é sofrimento, velhice é sofrimento, doença é sofrimento, morte é sofrimento, tristeza, lamentação, sofrimen-to corporal, depressão e desassossego são sofrimentos, quando não se consegue aqui-lo que se deseja também é sofrimento. De modo que os cinco agregados do apego são sofrimento.

O que é nascer, ó amigos? Aquele nascimento, o levantar, a entrada, o renascimento, o aparecer dos agregados, ganhando espaço, nos vários seres em vários grupos de se-res - isto, amigos, é dito ser nascimento.

O que é velhice, ó amigos? Aquela decadência, o declínio da capacidade, a perda dos dentes, o embranquecimento e perda dos cabelos, o enrugamento da pele, o avançar da idade, o falecimento das faculdades dos sentidos dos variados seres em vários gru-pos de seres - isto, amigos, é dito ser velhice.

O que é morte, amigos? Aquela saída, o ir-se, a parada, o desaparecimento, o agoni-zar mortalmente, morrer, o desagregar dos cinco agregados, desintegração do corpo dos vários seres de vários grupos de seres - isto, amigos, é dito ser a morte.

O que é tristeza, amigos? Amigos, sempre que, em verdade, a tristeza, a luto, a angús-tia, a tristeza latente, a muito interna mágoa de que alguém é possuído por causa de várias infelicidades e afetada por várias formas de sofrimento - isto, amigos, é dito ser tristeza.

O que é lamentação, amigos? Sempre que, em verdade, gritando, chorando, deplo-rando, lamentando, em estado de miséria, lamentavelmente, se alguém é possuído por várias infelicidades e afetado por várias formas de sofrimento - isto, amigos, é dito ser lamentação.

O que é sofrimento corporal, amigos? Sempre que, em verdade, amigos, sofrimento corporal, sensação corporal desagradável, sofrimento do contato desagradável com o corpo, é experimentado - isto, amigos, é dito ser sofrimento.

O que é depressão, amigos? Sempre que, amigos, o sofrimento deriva do pensamento, desagradável, o sofrimento nascido do contato desagradável com a mente, é experi-mentado - isto, amigos, é dito ser depressão.

O que é desassossego, amigos? Toda vez que, em verdade, amigos, aborrecimentos, inquietação, mal-estar, importunação, de que alguém é possuído por várias infelici-dades e afetado de várias formas de sofrimento - isto, amigos, é dito ser desassossego.

O que é, amigo, “quando alguém não consegue o que é desejado que é também so-frimento?”

Amigos, para aqueles que têm a natureza de ter nascido, o desejo é sobre esta sorte: o nascimento - “Oh! Em verdade se nós não tivéssemos a natureza de ser nascidos! Que nascimento não mais aconteça para nós”. E isto não pode ser conseguido através des-te desejo. Isto é também: “quando alguém não consegue o que é desejado que tam-bém é sofrimento?”

Amigos, para aqueles que, tendo a natureza de ficarem velhos, o desejo desta sorte aparece: “Oh! Em verdade, se eu não tivesse a natureza de ficar velho! que a velhice não venha para nós”. E isto não pode ser conseguido através deste desejo. Isto é tam-bém:  “quando alguém não consegue o que é desejado que também é sofrimento”.

Amigos, para aqueles que têm a natureza de ficarem doentes, o desejo desta sorte nasce: “Oh! Em verdade se nós não tivéssemos a natureza de ficarmos doentes! possa a doença não vir para nós”. E isto não pode ser conseguido através deste desejo. Isto é também: “quando alguém não consegue o que é desejado o que também é sofrimen-to”.

Amigos, para aqueles que têm a natureza de morrer, um desejo desta sorte nasce: “Oh! Em verdade se nós não tivéssemos a natureza de morrer! possa a morte não chegar para nós”. Mas isto não pode ser conseguido através deste desejo. Isto é tam-bém “quando alguém não consegue o que deseja que é também sofrimento”.

Amigos, para os seres que têm a natureza da tristeza, da lamentação, do sofrimento corporal, da depressão e desassossego, de não ter o que deseja ...

Amigos, os cinco agregados do apego são sofrimento: O agregado do apego chamado qualidades materiais (corpo), o agregado do apego chamado sensação, o agregado do desejo chamado percepção, o agregado do desejo chamado coeficiente da consciência (pensamentos), o agregado do desejo chamado consciência. Esta, amigos, é dita ser a Nobre Verdade do Sofrimento.

Amigos, o que é a Nobre Verdade do Levantar do Sofrimento? Este é o desejo que re-sulta em renascimento, acompanhada da paixão, deleite, ter deleite nisto e naquilo, a saber: ânsia por prazeres sensuais, ânsia por vir-a-ser, ânsia por não-vir-a-ser. Ami-gos, esta é dita a Nobre Verdade do Levantar do Sofrimento.

Amigos, o que é a Nobre Verdade da Extinção do Sofrimento? A extinção daquele desejo sem nenhum resíduo e com indiferença, o desistir, a rejeição, a libertação e negação amigos, esta é dita ser a Nobre Verdade da Extinção do Sofrimento.

Amigos, o que é a Nobre Verdade do Caminho que Leva à Extinção do Sofrimento? Este o único, o Nobre Óctuplo Caminho, a saber: Correta perspectiva, correto pensa-mento, correto falar, correta ação, correto meio de vida, correto esforço, correta aten-ção, correta concentração.

O que é, amigos, correta perspectiva? Esta é, amigos, o conhecimento do sofrimento, o conhecimento do levantar do sofrimento, o conhecimento da extinção do sofrimen-to, o conhecimento do caminho que leva à extinção do sofrimento. Amigos, esta é di-ta Correta perspectiva.

O que é, amigos, Correto Pensamento?  O pensamento de renúncia. O pensamento de liberdade da malícia, e da crueldade. Amigos, este é dito o pensamento correto.

Amigos, o que é Correto Falar? É abster-se da falsidade, da calúnia e da grosseria. Amigos, este é dito o Correto Falar.

Amigos, o que é a correta ação? É abster-se de matar, abster-se de roubar e abster-se de adulterar. Amigos, esta é dita a Correta Ação.

Amigos, o que é Correto Meio de Vida? Aqui, amigos, o nobre discípulo desiste de indevidos meios de vida, e vive sua vida através de um meio de vida correto. Amigos, este é dito o correto meio de vida.

Amigos, o que é Correto Esforço?  Aqui, amigos, o monge produz um querer, traba-lha, inicia um esforço, manipula sua mente, exercita-se para o não nascimento do mal e maus estados da mente que não nasceram. Ele produz um querer, trabalha, inicia um esforço, manipula sua mente, exercita-se para a destruição do mal e maus estados da mente que nasceram. Ele produz um querer, trabalha, inicia um esforço, manipula sua mente e exercita-se para o nascimento de bons estados da mente que não nasce-ram. Ele produz um querer, inicia um esforço, manipula sua mente, exercita-se para o estabelecimento, para a ausência de confusão, para o crescimento, para a plenitude, para o cultivo da mente, para a efetivação dos bons estados da mente que nasceram. Amigos, este é dito ser o Correto Esforço.

Amigos, o que é Correta Atenção? Aqui, amigos, o monge vive vendo no corpo um agregado, e vigilante, observando, atento, disciplinando sua avidez pelo mundo, dis-ciplinando seu desânimo pelo mundo; vendo as sensações como sensações, e vigilan-te, observando, atento, disciplinando sua avidez pelo mundo, disciplinando seu desâ-nimo pelo mundo, controlando o coração por respeito à mente; vendo os pensamen-tos como pensamentos, vigilante, observando, atento, disciplinando sua avidez pelo mundo, disciplinando seu desânimo pelo mundo; vendo a natureza mental dos esta-dos mentais e vigilante, observando, atento, disciplinando sua avidez pelo mundo, disciplinando seu desânimo pelo mundo. Amigos, esta é dita ser a Correta Atenção.

Amigos, o que é Correta Concentração? Aqui, amigos, um monge, afastados dos pra-zeres sensuais, afastado das ações inábeis, vive tendo atingido a primeira meditação, de reflexão e investigação, nascida na quietude, entusiasmo e felicidade. Através da tranqüilização da reflexão e investigação, ele vive e atinge a segunda meditação, que esclarece completamente o seu interior, com concentração da mente, na qual não há reflexão e investigação, a qual nasce da concentração, entusiasmo e felicidade. Ele vive indiferente ao entusiasmo e à depressão, atento e observando, experimenta a fe-licidade através do corpo. Ele vive e atinge a terceira meditação, pela qual os nobres declaram: “ele é sereno, atento e feliz”. Pela renúncia à felicidade e pela renúncia ao sofrimento, através da aniquilação da tranqüilidade mental, ele vive tendo atingido a quarta meditação, que é livre do sofrimento, livre da felicidade, completamente pura de acordo com a plena atenção e equanimidade. Amigos, esta é dita ser a Correta Concentração.

Esta é a nobre Verdade do Caminho que Leva à Extinção do Sofrimento.

Amigos, pelo Conquistador, pelo Digno, pelo Supremamente Iluminado, em Barana-si, Isipatana, no Parque das Gazelas, a insuperável Roda do Dhamma foi posta em ação. A qual não pode ser revertida por nenhum asceta ou brâmane ou deva ou mara ou brahma ou por ninguém neste mundo, a saber, o anúncio, a instrução, a proclama-ção, a exposição, o fundamento, a manifestação, a revelação, a demonstração destas Quatro Nobres Verdades”.

O venerável Sariputta disse isto. Aqueles monges ficaram felizes e aprovaram o que ti-nha sido dito pelo Venerável Sariputta.

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