sábado, 12 de dezembro de 2015

PARTE TRÊS


22. DHAMMACAKKAPPAUATTANASUTTAM

Discurso da Inauguração do Reino da Verdade

[Literalmente: Discurso de por em ação a Roda da Verdade ou do Dhamma, a Doutrina, talvez o mais importante de todos os Suttas, pois nele se expões as chamadas QUATRO NOBRES VERDADES, ponto de base de toda a teoria budista. Foi o Primeiro Discurso do Sublime a tratar da Dharma, reencontrando os seus cinco antigos discípulos]

NAMÔTASSÊ BHAGUEVÊTO AREHATÔ SAMMÁ SAMBUDHASSÊ!
Louvado seja Ele, o Valioso, o Perfeito, o Supremamente Iluminado!

NAMÔTASSÊ BHAGUEVÊTO AREHATÔ SAMMÁ SAMBUDHASSÊ!
Louvado seja Ele, o Valiosa, o Perfeito, o Supremamente Iluminado!

Assim foi ouvido por mim:
Naquele tempo o Sublime estava em Baranasi, Isipatana, no Parque das Gazelas, quan-do, então, o Sublime se dirigiu aos monges que formavam um grupo de cinco:
“Ó monges, existem estes dois extremos que não devem ser freqüentados por um reclu-so; há este apreço pelos divertimentos do mundo, com respeito aos prazeres sensuais, baixo, comum, pertencente ao homem comum, (caminho este que é) desprezível, conec-tado com sofrimento; e há este apego à auto-mortificação, (que é cheio de) sofrimento, ignóbil, conectado com sofrimento. Ó monges, sem se aproximar desses dois extremos, o caminho do meio foi bem realizado pelo Conquistador, produzindo introspecção, pro-duzindo conhecimento, levando à serenidade, especial conhecimento, mais alta ilumina-ção, Nibbana.

E monges, o que é este caminho do meio que foi bem realizado pelo Conquistador, pro-duzindo Introspecção, produzindo conhecimento, levando à serenidade, especial conhe-cimento, correta iluminação, Nibbana?
Este não deve ser nenhum outro além do Nobre Óctuplo Caminho, a saber: Correta vi-são, correta intenção, correta palavra, correta ação, correto meio de subsistência, correto esforço, correta atenção e correta concentração. Este, ó monges, é o caminho do meio realizado pelo Conquistador, produzindo introspecção, produzindo conhecimento, que leva à serenidade, especial conhecimento, mais alta iluminação, Nibbana.

Esta, ó monges, é a Nobre Verdade do Sofrimento: Nascimento é sofrimento, velhice é sofrimento, doença é sofrimento, morte é sofrimento, união com o indesejável é sofri-mento, separação do amado é sofrimento, não conseguir o que se deseja é sofrimento, e assim os fatores dos cinco agrupados são sofrimento. Este, ó monges, é a Nobre Verdade da raiz do sofrimento: A avidez de todos os meios que causam vir-a-ser no próximo mundo, que consiste no apaixonado deleite que busca por de prazer nisto ou naquilo, ou seja: avidez por prazeres sensuais, avidez por vir-a-ser, avidez por não-vir-a-ser.
Este é, então, ó monges, o Nobre Caminho da Extinção do Sofrimento: pela extinção da vida, mesma, através do radical desapego, da renúncia, do abandono, da liberdade, da não-prisão. Este, ó monges, é o Nobre Caminho, o Caminho que leva à extinção (desta miséria, deste mar de sofrimento). Este é o único, o Nobre Óctuplo Caminho, a saber: Correta visão, correta intenção, correta palavra, correta ação, correto meio de subsistên-cia, correto esforço, correta atenção e corrreta concentração.

Este é a Nobre Verdade do Sofrimento, para mim, ó monges, com referência às outras doutrinas nunca ouvida antes, o olho nasceu, a cognição nasceu,  a sabedoria nasceu, o conhecimento nasceu, a luz nasceu.

Sem dúvida esta Nobre Verdade do Sofrimento poderia ser compreendida por mim, ó monges, com referência às outras doutrinas isto nunca foi ouvido antes, o olho nasceu, a cognição nasceu, a sabedoria nasceu, o conhecimento nasceu, a luz nasceu. Sem dúvida esta Nobre Verdade do Sofrimento foi compreendida por mim, ó monges, com referên-cia às outras doutrinas nunca ouvidas antes, o olho nasceu, a cognição nasceu, a sabedo-ria nasceu, o conhecimento nasceu, a luz nasceu. Esta é a Nobre Verdade da raiz do so-frimento, para mim, ó monges, com referência às outras doutrinas nunca foi ouvida an-tes, o olho nasceu, a cognição nasceu, a sabedoria nasceu, o conhecimento nasceu, a luz nasceu.

Sem dúvida esta é a Nobre Verdade que a raiz do sofrimento pode ser abandonada, por mim, ó monges, com referência às outras doutrinas isto nunca foi ouvido antes, o olho nasceu, a cognição nasceu, a sabedoria nasceu, o conhecimento nasceu, a luz nasceu.

Sem dúvida esta Nobre Verdade da raiz do Sofrimento foi abandonada, para mim, ó monges, com relação às outras doutrinas isto nunca foi ouvido antes, o olho nasceu, a cognição nasceu, a sabedoria nasceu, o conhecimento nasceu, a luz nasceu. Sem dúvida esta é a Nobre Verdade da Extinção do Sofrimento, para mim, ó monges, com relação às outras doutrinas isto nunca foi ouvido antes, o olho nasceu, a cognição nasceu, a sabedo-ria nasceu, o conhecimento nasceu, a luz nasceu.

Sem dúvida esta Nobre Verdade da extinção do Sofrimento pode ser realizada, para mim, ó monges, com relação às outras doutrinas isto nunca foi ouvido antes, o olho nas-ceu, a cognição nasceu, a sabedoria nasceu, o conhecimento nasceu, a luz nasceu. Sem dúvida esta Nobre Verdade da extinção do Sofrimento foi realizada ...

Sem dúvida este é o Nobre Caminho que leva à extinção do Sofrimento ... Sem dúvida este Nobre Caminho que leva à extinção do Sofrimento pode ser desenvolvido ... Sem dúvida este Nobre Caminho que leva à extinção do Sofrimento foi desenvolvido.

Enquanto, ó monges, então, com referência a estas Quatro Nobres Verdades, os três cír-culos, doze vezes repassados, a visibilidade concretamente real e clara não estava pura, eu ainda não, ó monges, declarava ao mundo, com seus deuses e maras, brahmas, reclu-sos e povo, incluindo os brâhmanes, junto com os deuses e seres humanos, que Eu reali-zei a insuperável e supremamente completa iluminação. Depois de um certo ponto, ó monges, com o olhar firme nestas Quatro Nobres Verdades, então, os três círculos, doze vezes realizados, a visibilidade concretamente real e clara começou a ficar pura.

Então Eu, ó monges, na inteireza do Universo, com os devas e os maras, os brahmas, os reclusos e o povo, incluindo os brâhmanes junto com os devas e seres humanos, declaro que Eu realizei a insuperável completa iluminação. A luz da visão cognitiva nasceu e fi-cou clara para mim. A soltura e amplidão de minha mente com nada é perturbada. Este é o meu último nascimento. Não há mais um futuro vir-a-ser agora”.
O Sublime disse isto. Os monges que pertenciam ao grupo dos cinco ficaram felizes e aprovaram as palavras do Sublime.

Quando esta explicação estava bem dita, para o venerável Kondanna, nasceu o Olho do Dhamma, livre de mancha, livre de pó (e ele disse:)
“Qualquer que seja o real que nasça, isto tem a qualidade de morrer”.
Quando a Roda do Dhamma foi posta a rolar pelo Sublime, os devas da terra alardearam a notícia:
“Pelo Sublime, em Baranasi, Isipatana, no Parque das Gazelas, a insuperável Roda do Dhamma foi posta a rolar, a qual nunca pôde ser posta a rolar por nenhum recluso ou brâhmane ou deva ou mara ou brahma ou por ninguém deste mundo.
Tendo ouvido a notícia dos devas da terra, os devas Catummaharajika proclamaram a notícia:
“Pelo Sublime, em ...”
Tendo ouvido a notícia dos devas Catummaharajika os devas Tavatinsa proclamaram a notícia:
“Pelo Sublime, em ...”
Tendo ouvido dos devas Tavatimsa, os devas Yamma proclamaram a notícia:
“Pelo Sublime, em ...”
Tendo ouvido dos devas Yama, os devas Tusita proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Tusita, os devas Nimmanarati proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Nimmanarati, os devas Paranimmitavasavatti proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Paranimmitavasavatti, os devas Brahmaparisajja proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Brahmaparisajja, os devas Brahmapurohita proclamaram a no-tícia.
Tendo ouvido dos devas Brahmapurohita, os devas Mahabrahma proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Mahabrahma, os devas Parittabha proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Parittabha, os devas Appamanabha proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Appamanabha, os devas Abhassara proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Abhassara, os devas Parittasubha proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Paritassubha, os devas Appamanasubha proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Appamanasubha, os devas Subhakinhaka proclamaram a notí-cia.
Tendo ouvido dos devas Subhakinhaka, os devas Vehapphala proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Vehapphala, os devas Aviha proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Aviha, os devas Atappa proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Atappa, os devas Sudassa proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Sudassa, os devas Sudassi proclamaram a notícia.
Tendo ouvido dos devas Sudassi, os devas Akanitthaka proclamaram a notícia:
“Pelo Sublime, em Baranasi, Isipatana, no Parque das Gazelas, a insuperável Roda do Dhamma foi posta a rolar, a qual nunca pôde ser posta o rolar por nenhum outro asceta ou Brâmane, ou deva ou mara, ou brahma ou por ninguém deste mundo”.

Então, naquele momento, desde que aquela notícia foi proclamada, um grande rumor nasceu no mundo dos Deuses. E os Dez Mil Universos estremeceram, sacudiram ruido-samente. Grandes e ilimitadas luzes apareceram no universo, vindas de longe, do alcan-ce do poder dos Deuses.
Então o Sublime proferiu uma exclamação de alegria: “De fato meu querido Kondañña atingiu o Conhecimento, de fato meu querido Kondañña atingiu o Conhecimento!”.  E por esta razão Annakondanna passou a se chamar venerável Kondañña.

Que pela força desta verdade você tenha vida virtuosa, longa e feliz! Que pela força des-ta verdade todos o seus problemas desapareçam! Que pela força desta verdade você te-nha feliz e longa vida!

23. MAHASAMAYASUTTAM

Discurso da Grande Assembléia

Assim foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia entre os Sákyas, na grande floresta de Kapilavatthu, em companhia de grande multidão de monges que consistiam em quinhentos monges, Ilu-minados, quando os deuses vindos dos dez elementos do mundo em grande número se reuniram ali para ver o Sublime e a multidão dos monges.

Então, em verdade, ocorreu aos deuses que pertenciam aos quatro estágios de pureza:
“Este Sublime permanece entre os Sákyas, na grande floresta de Kapilavatthu, com a grande multidão de monges consistindo em quinhentos monges todos eles Dignos. Em verdade, os deuses dos dez elementos do mundo em largo número se reuniram ali para verem o Sublime e a multidão dos monges. Seria oportuno que nós também nos aproxi-mássemos daquele lugar onde o Senhor está. E nos tendo aproximado pudéssemos cada um de nós proferir uma estrofe na presença do Sublime”.

Então, em verdade, aqueles deuses, no curto tempo que um homem forte leva para es-tender o braço, desapareceram de onde estavam nos seus puros estágios e apareceram em frente ao Sublime. Então aqueles deuses reverenciaram o Sublime e permaneceram de pé, ao lado. Então, em verdade, um dos deuses que permanecia de pé ao lado proferiu esta estrofe na presença do Sublime:

“Há uma grande assembléia na floresta
Os devas se reuniram aqui;
Viemos para esta assembléia do Dhamma
Para ver a reunião dos invencíveis.
Então, em verdade, outro deus proferiu esta estrofe na presença do Sublime:
Lá os monges tranqüilos
Afiaram suas mentes.
Como o cocheiro tomando as rédeas
O sábio as faculdades sensitivas.
Então, em verdade, outro deus proferiu esta estrofe na presença do Sublime:
“Tendo Cortado a estaca e a travessa
Arrancado o mastro de Indra,
Sem avidez andam, puros e limpos
Os jovens elefantes treinados
Pelo possuidor de olhos.
Então, em verdade, outro deus proferiu esta estrofe na presença do Sublime:
Os que foram ao Buddha como refúgio
Não vão estar na aflição
Quando largarem o corpo de homem
Ocuparão o corpo de deva.

Então, em verdade, o Sublime se dirigiu aos monges:
“Os deuses dos dez elementos do mundo compareceram em grande número para ver o Conquistador e o capítulo dos monges. Ó monges, todos os Buddhas que no passa-do foram Dignos, Completamente Iluminados, diante de si também tiveram igual a esta uma reunião de deuses em assembléia como agora diante de mim. Ó monges, sempre que no futuro houver Dignos, Completamente Iluminados, diante desses Se-nhores também uma similar reunião de deuses ocorrerá em assembléia como agora diante de mim. Eu posso dizer para vocês, ó monges, os nomes dos grupos de deuses; Eu posso proclamar para vocês, ó monges, o nome dos grupos de deuses; Eu posso falar para vocês, ó monges, os nomes dos grupos de deuses. Ouçam isto, e guardem bem nas suas memórias. Eu posso falar”.  “Sim, Senhor”, em verdade aqueles mon-ges responderam para o Sublime.

O Sublime falou assim:
1.  “Eu posso recitar um recitativo
Onde apareçam os deuses da terra
Com os lugares dependentes de cada um.
Aqueles associados a montanhas e cavernas
De resoluto poder, mas tranqüilos

2.  Outros, enclausurados feito leões em jaulas,
Dominando os horrores
Com mente clara, pura,
Impolutos, inatingíveis”.

3.  Conhecendo aqueles mais de quinhentos
Na floresta Kapilavatthu.
Assim o Mestre se dirigiu aos discípulos
Amantes do Ensinamento:

4.  “A multidão dos devas se reuniu
Conhecendo-os bem, ó monges”
E aqueles monges se prosternaram
Tendo ouvido isto do Buddha.

5.  Para eles nasce o Conhecimento
de ver os não-humanos.
Alguns vêem cem
Outro mil, outros setenta mil.

6.  Alguns viram cem mil não-humanos
Alguns outros viram inumeráveis
Em todas as direções penetrando

7.  Todos reconheceram o Buddha
Todos desejaram falar-lhe.
O Mestre, então, proferiu
Para os discípulos amados:

8.  “A multidão de devas está reunida
Então, aqui, ó monges,
Posso explicá-la para vocês
Em palavras, gradualmente

9.  Sete mil yakkhás
Da terra de Kapilavatthu
De grande poder, brilhantes,
Coloridos, famosos
Reunidos vieram à floresta
Para a assembléia dos monges.

10. Seis mil vieram do Himalaya
Yakkhás de vária resplandescência,
De grande poder, brilhantes,
Coloridos, famosos
Reuniram-se nesta floresta
Para a assembléia dos monges.

11. Da montanha Satagiri três mil
Yakkhás de vária resplandescência,
De grande poder, brilhantes,
Coloridos, famosos
Reuniram-se nesta floresta
Para a assembléia dos monges.

12. Então estes dezesseis mil yakkhás
De variado resplendor
Poderosos e brilhantes
Coloridos, renomados
Reuniram-se na floresta
Para a assembléia dos monges.

13. Da montanha Vessamitta quinhentos
Yakkhás de variado resplendor
Poderosos, brilhantes, coloridos, renomados
Reuniram-se na floresta
Para a assembléia dos monges.

14. Kumbhira, de Rajagaha;
Habitante do Monte Vepulla
Mais de cem mil yakkhás com ele
Kumbhira de Rajagaha
Ele veio à assembléia.

15. Do Oriente, onde governa,
Veio o Rei Dhatarattha;
O Senhor dos gandhabbas,
O grande e famoso Rei
Ele tem muitos filhos
De nome Inda, de grande poder,
Poderosos, brilhantes, coloridos, renomados
Eles vieram à assembléia.

16. Do Sul, que governa,
Veio o Rei Virulha
O Senhor dos Kumbhandas,
O grande Rei renomado.
Também tem muitos filhos
De nome Inda, de grande poderes,
Poderosos, brilhantes, coloridos, renomados
Eles vieram à assembléia.

17. Do Oeste, onde governa
Veio Rei Virupakkha
O Senhor dos Nagas
O grande Rei, renomado
Que também tem muitos filhos
De nome Inda, de grande poder
Poderosos, brilhantes, coloridos, renomados
Eles vieram à assembléia

18. Do Norte, onde governa
Veio o Rei Kuvera
O Senhor dos yakkhás,
O grande e famoso Rei
Também tem muitos filhos
De nome Inda, de grande poder
Poderosos, brilhantes, coloridos, renomados
Reunidos vieram à assembleia

19. Do Oriente Dhatarattha
Do Sul Virulhaka
Do Oeste Virupakkha
Kuvera do lado Norte
Esses quatro grandes reis
De todas as quatro direções
Flamejantes, vieram.
À floresta de Kapilavatthu.

20. Vieram seus fraudulentos escravos
Enganadores e hábeis
Fraudulento Kutendu e Vetendu
Junto com Vitucca e Vituda
Condana e Kamasettha,
Kinnughandu e Nighandu,
Panada e Opamañña
E Matali o deva filho
E o gandabbha Chittasena
Rei Nala, Janesabha.
Veio também Pancasikha
Timbaru, Suriyavaccasa.
Eles e os outros reis
Junto com seus Gandhabbas
Para a assembléia dos monges.

21. Então vieram nagas do lago Nabhasa. Nagas de Visala com seu séquito.  Os Tacchakas, os Kambalas e os Assataras vieram. Também nagas da passagem do rio Payaga juntos com seus parentes. Nagas do rio Yamuna e os Dhataratthas, vieram as renomados nagas. O Grande Naga Eravana, ele também veio da flo-resta para a assembléia.

22. Aqueles que venceram os reis Nagas aparecem de súbito. Os divinos, duas ve-zes nascidos, alados, possuidores de olhos muito claros; eles, através do espaço, alcançaram o meio da floresta. Citra e Supanna são seus nomes. Eles são livres de medo. Então, para os reis Nagas o Buddha fez uma proteção, contra os su-pannas “de belas asas”, e sendo reconcialidos com doces palavras, os Nagas e os Supannas juntos vieram tomar refúgio no Buddha.

23. Pelo Portador dos Raios (Sakka, Rei dos Deuses, ou Indra) foram derrotados os assuras, associados ao oceano; eles são irmãos de Vasava (Sakka), poderosos e renomados.

24. Entre eles o altamente terrível Kalakanjas e o Danaveghasa, asuras, Vepacitti e Sicitti, Paharada e Namuci, centenas de irmãos de Bali, todos de nome Veroca, armados com as armas de Bali, vêm ao augusto Rahu e diz em: “Que você te-nha boa sorte; agora é tempo da assembléia dos monges da floresta”.

25. Os Devas Apo (da água) e Pathavi (da terra), o Tejo (do jogo) e o Vayo (do vento) vieram aqui; os devas Varuna e Vaaruna, e Soma,com Yasa, os Metta-kayitas (cujos corpos são feitos de bondade) e os Karumakayikas (cujos corpos são feitos de compaixão), esses renomados devas vieram; aqueles dez de dez ti-pos, todos de variada coloração, poderosos, gloriosos, juntos vieram à assem-bléia.

26. Os Devas Venhu e os Sahali, os Asamas e os dois Yamas; os devas associados a Canda (lua), vieram, com Canda à frente deles.

27. Os devas associados a Suriya (sol), vieram com Suriya à frente deles; os devas associados às constelações, com as constelações à frente deles; veio Mandava-lahaka; o Melhor dos Vasus, Vasava, também chamado Purindada (Quebrador dos Muros das Fortalezas), nomeadamente Sakka, também veio; aqueles dez de dez tipos, todos de grandes faiscações, poderosos, resplendorosos, coloridos, gloriosos, reunidos vieram à assembléia.

28. Então vieram os devas Sahabbhu, luzentes como  a chama do fogo; Aritthakas e Rojas, brilhantes como a flor do linho. Os Varunas e os Sahadhammas, Accutas e Anejakas, Suleyyas e Ruciras vieram, e Vasavanesis, aqueles dez de dez tipos, todos de grandes faiscações poderosos, majestáticos, resplendorosos, coloridos, gloriosos, reunidos vieram à assembléia.

29. Samanas, Mahasamanas, Manusas, Manusuttamas, Khiddapadusikas vieram, e os Manopadusikas. Então veio os Haridevas, e aqueles Lohitavasino, Paragas, Mahaparagas, vieram os deuses gloriosos. Aqueles dez de dez tipos, de grandes faiscações, majestáticos, resplendorosos, cintilantes, gloriosos, reunidos vieram à assembléia.

30. Sukkas, Karumhas, Arunas, vieram com os Veghanasas; Odatagayhas, os Che-fes; os Devas Vicakkhana vieram; Sadamattas, Haragajas, e Missakas gloriosos.  Trovejando veio Pajjunna, que faz chover em todas as direções. Aqueles dez de dez tipos, de grandes faiscações, majestáticos, resplendorosos, cintilantes, glo-riosos, reunidos vieram à assembléia.

31. Khemiyas, Tusitas, Yamas e Katthakas, os gloriosos, Lambitakas, Lamasetthas, os Jotis e Asavas; os Nimmanarati vieram. Então os Paranimmita. Aqueles dez de dez tipos, de grandes faiscações, majestáticos, resplendorosos, cintilantes, gloriosos, reu-nidos vieram à assembléia.

32. Aqueles sessenta grupos de devas de grandes faiscações vieram, de acordo com seus nomes e outros devas juntos com outros de categorias similares.

33. (Eles dizem:) “Nós queremos ver o Naga, Aquele que cruzou a corrente, Aquele que é como a Lua que veio por trás da noite, (e a Sangha) que desmontaram a habitação do nascimento, livres das estacas, que cruzaram a corrente, livres dos estimulantes”.

34. Subrahman e Paramatta, os filhos do físico, junto com Sanamkumara e Tissa, vieram à assembléia.

35. Do mundo dos brahmas mil, acima de outros níveis apareceu Mahabrahma, nascido faiscante, de corpo surpreendentemente aterrorizador e glorioso.

36. Dez chefes vieram dentre eles, auto-governantes, e no meio deles veio Harita, cercado por outros.

37. Quando todos eles se aproximar com Inda, os devas e os brahmas, agora apare-ceram as forças de Mara. “Vejam a loucura do Noturno”.

38. Ele vem e ataca com a paixão, em verdade, aos pulos, cercando-os inteiramen-te; não deixa nenhum dos seus libertar ninguém.

39. “Eis, aí, o Grande Comandante” (Mara); enviados soldados de Mara. Tendo ba-tido o chão com a palma de sua mão, Mara provocou um apavorante som.

40. Como uma nuvem durante a estação chuvosa, troveja com clarões e passa, as-sim ele se retirou, odiado, incapaz de tomar os devas sob seu controle.

41. Possuindo a totalidade do conhecimento em toda a sua extensão, e desejando falar, O Que Tem Olhos (o Buddha), o Instrutor, então se dirigiu aos discípulos que amavam a Doutrina: “As forças de Mara chegaram; observem-nas, então, ó Monges”. E os monges ficaram atentos, advertidos pelo Buddha. E as forças de Mara se retiraram, para eles que subtraíram as paixões, e as forças de Mara não conseguiram nem mesmo estremecer um fio de seus cabelos.

42. Todos os que venceram a guerra, vão além do medo, os gloriosos; alegram-se com os seres divinos, aqueles discípulos, bem conhecidos entre os homens.

24. ALAVAKASUTTAM

Discurso para Álavaka

Assim foi ouvido por mim:
Certa vez o Louvado permanecia em Alavi, no lugar onde morava o yakkha Álavaka, en-tão o yakkha Álavaka se aproximou de onde estava o Louvado. Tendo-se aproximado fa-lou para o Louvado desta forma: “Saia, asceta”. “Sim, amigo”, “Entre, asceta”. “Sim, amigo” entrou o Sublime.
Pela segunda vez, em verdade, o yakkha Álavaka disse para o Sublime assim: “Saia, as-ceta”. “Sim, amigo”, o Louvado saiu. “Entre, asceta”, o Louvado entrou.
Pela terceira vez ...
Pela quarta vez, em verdade, o yakkha Álavaka falou: “Saia, asceta” e o Louvado res-pondeu: “Eu não vou sair, em verdade, amigo. Seja o que você quiser fazer, faça”. (En-tão Álavaka disse:) “Eu quero, ó asceta, perguntar-lhe uma questão. Se você não a expli-car, vou virar sua mente ou fazer a sua cabeça em pedaços, ou segurando pelo pé vou lançá-lo do outro lado do rio”. (O Louvado disse:) “Eu não vejo, em verdade, ó amigo, ninguém no mundo entre os devas, ou entre os maras, ou entre os brahmas, ou entre os seres com seus ascetas e brâmanes e devas e seres humanos quem possa virar minha mente ou fazer minha cabeça em pedaços, ou tomando-me por um pé lançar-me do ou-tro lado do rio. Entretanto, amigo, questione-me sobre o que você desejar”. Então, em verdade, o yakkha Álavaka falou para o Louvado numa estrofe:
1. Neste mundo qual a melhor riqueza? O que, quando bem praticado, produz fe-licidade? Qual é o melhor sabor? Qual é a melhor vida para um ser viver?

2.  (O Louvado respondeu:)
Neste mundo a fé é a maior riqueza. Correção bem praticada traz felicidade.
A verdade tem o melhor sabor. Melhor é a vida do homem que vive com sabe-doria.

3.  (Álavaka:)
Como cruzar a corrente? Como cruzar o oceano? Como ficar além do sofrimen-to? Como alguém pode se purificar?

4. (O Louvado:)
Como fé se cruza a corrente. Com diligência se cruza o oceano. Com esforço se vai além do sofrimento. Com sabedoria o homem se purifica.

5.  (Álavaka:)
Como alguém obtém sabedoria? Como ganhar riqueza? Como atingir a fama? Como fazer amigos? Deste para o próximo mundo, tendo ido, como o homem não se lamenta?

6.  (O Louvado:)
Tendo fé nos Dignos Iluminados, na Doutrina, para atingir o Nibbana, e dese-jando ouvir a Doutrina alguém obtém sabedoria; com diligência e atenção, fa-zendo o que é próprio, com responsabilidade, sendo enérgico se ganha riqueza. Atinge-se a fama pela verdade. O generoso ganha amigos. Quem tiver aquelas quatro qualidades, aquela fiel família, chamadas “verdade, auto-controle, cora-gem e generosidade”, para ele lamento não haverá, quando já tiver partido.

7. Pois pergunte também aos outros, muitos reclusos e brâmanes, se há alguma coisa mais, além da verdade, auto-controle, generosidade e coragem.

8.  (Álavaka:)
Por que poderia eu agora questionar muitos outros ascetas e brâmanes?  Hoje eu sei o que no próximo mundo traz benefício.

9. Em verdade, para meu benefício, o Buddha veio passar por Alavi. Eu sei hoje onde e o que faz recolher muitos frutos.

10. Peregrinarei de vila em vila, de cidade em cidade, homenageando o Completo Iluminado e as boas qualidades do Dhamma.

Depois de isto dizer, o yakhla Álavaka falou assim ao Abençoado:
“Isto é extremamente maravilhoso, ó respeitável Gotama, é extremamente maravilhoso, ó respeitável Gotama. Como se desvirasse o vaso emborcado, ou como o que estivesse fechado se abrisse, ou como uma via para quem se tivesse perdido, como uma lâmpada de óleo na noite escura, desejando: “possam os que tiverem olhos verem as formas”; em similar maneira o Dhamma foi bem declarado pelo respeitável Gotama de muitas ma-neiras. Que eu possa tomar refúgio no respeitável Gotama, no Dhamma e na Sangha de Bhikkhus (monges mendicantes). Possa o respeitável Gotama considerar-me um discípu-lo leigo, em quem desde hoje até o fim da minha vida tomarei este refúgio.

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