sábado, 12 de dezembro de 2015

PARTE UM




GRANDE LIVRO DAS PROTEÇÕES


Tradução do inglês, estabelecimento, explicações, prefácio e notas por Punna Upassaca (Rogel Samuel) da tradução do Pâli por Lionel Lokuliyana e outros, publicado por Gunasekeratrust, Colombo, Sri Lanka.


Realizada em meados da década de oitenta, esta é a primeira tradução em língua portugue-sa deste livro sagrado que contém os textos que os monges budistas da escola Theravada (antiga) sabem de cor, têm nos templos e recitam durante as cerimônias. Alguns exempla-res circularam em xerox nos últimos dez anos sem que tenha sido publicado em livro. Os textos estão nos Pitakas, que são o conjunto de três grupos de textos em língua pâli da tra-dição oral, que veio diretamente do Buddha Sidarta Gotama e considerados como tendo sido proferidos por Ele próprio. É um dos livros sagrados mais antigos do mundo, de uma das mais antigas ordens. Não se conhece a data da compilação deste livro. Alguns acredi-tam que foi compilado pelos membros do Primeiro Concílio, em Rájagriha, em 486 a.C.; outros pensam no período Anuradhapura, 306 a.C.; ambos, após a morte do Buddha. Desde a Índia ao Norte da qual nasceu o Sublime, o Dhamma espalhou naturalmente sua Sangha pela Ásia, como  à China em 372 d.C., ao Japão pela Coréia em 552, e ao Tibet em várias épocas. O texto que vamos apresentar pertence ao budismo mais antigo, ou Theravada. Este é um livro de proteção, de bênçãos e de pregação da Doutrina (o Dhamma).  Sua leitura, ou mesmo  sua presença num ambiente, assegura a proteção contra os maus espíritos, os infortúnios, doenças e ansiedade, além de conduzir à prosperidade.  Sobretudo incentiva ao desenvolvimento da auto-perfeição em direção à Libertação dos Renascimentos. Na sua extraordinária compaixão, o Buddha mostrou como nulificar os infortúnios e ter uma vida longa, proveitosa e feliz.  São estes os textos que aqui se editam. A sua leitura pode ser feita em voz alta, num recitativo. As repetições dos textos budistas são facultativos para a sua leitura em voz alta. Originalmente, o livro é dividido em quatro partes, recitados primeiramente por todos os monges, na segunda e terceira partes por alguns, e na quarta parte final por todos os montes outra vez. Possam todos os seres que  lerem este livro sentirem-se bem e felizes! Possam todos con-duzirem-se à felicidade! Possam todos aspirar à Emancipação! Pela força destas verdades, que todos tenham vida virtuosa, longa e feliz!
Punha Upassaca (Rogel Samuel)


CATUBHANA VARA PALI

O TEXTO DOS QUATRO RECITAIS ou GRANDE LIVRO DAS PROTEÇÕES

O livro Sagrado dos Monges do Budismo Theravada.

Tradução, estabelecimento, explicações, prefácio e notas por Punna Upassaca, segundo a tradução do Pâli por Lionel Lokuliyana e outros, publicado por Gunasekeratrust, Colombo, Sri Lanka.

Para realização da felicidade, para a destruição do sofrimento, do perigo, do medo e das doenças!

RECITAL PRELIMINAR

(Entram os monges no “mandapa”, ou tabernáculo, pavilhão especialmente construído para a ocasião, e ocupam seus lugares. Então os seguintes procedimentos acontecem:)

A) CONVITE para o recital das “paritta” (proteções), proferido por um leigo, que oferece um feixe de Betel aos monges:

PARA A DEFESA DE TODO O PERIGO
PARA REALIZAÇÃO DE TODAS AS FELICIDADES
PARA DESTRUIÇÃO DE TODO SOFRIMENTO
POR FAVOR DIGAM AS BÊNÇÃOS DA PROTEÇÃO

PARA DEFESA DE TODO PERIGO
PARA REALIZAÇÃO DE TODAS AS FELICIDADES
PARA DESTRUIÇÃO DE TODO MEDO
POR FAVOR DIGAM AS BÊNÇÕES DA PROTEÇÃO

PARA DEFESA DE TODO PERIGO
PARA REALIZAÇÃO DE TODAS AS FELICIDADES
PARA DESTRUIÇÃO DE TODA DOENÇA
POR FAVOR DIGAM AS BÊNÇÃOS DA PROTEÇÃO

B) AVISO, na língua dos ouvintes, pelo monge mais velho.

C) NAMASKARA, homenagem ao Buddha:

NAMÔ TASSÊ, BHAGUEVETÔ, ARERRATÔ, SAMMÁ SAMBHUDHASSÊÊ!
Homenagem a Ele, o Valioso, o Perfeito, o Supremamente Iluminado!

D) SARANAGAMANA, tomando os refúgios:

BUDDHAÁM, SARENÁM, GATCHÁMI
DHAMMÁM, SARENÁM, GATCHÁMI
SANGHÁM, SARENÁM, GATCHÁMI
DUTIYÁM, PI BUDDHÁM, SARENÁM, GATCHÁMI
DUTIYÁM, PI DHAMMÁM, SARENÁM  GATCHÁMI
DUTIYÁM, PI SANGHÁM, SARENÁM  GATCHÁMI
TATIYÁM, PI BUDDHÁM, SARENÁM  GATCHÁMI
TATIYÁM, PI DHAMMÁM, SARENÁM  GATCHÁMI
TATIYÁM, PI SANGHÁM, SARENÁM  GATCHÁMI

E) PANCHA SÌLA, os cinco preceitos.

1. Recebo o preceito de evitar tirar a vida de qualquer ser vivo.
2. Recebo o preceito de evitar tomar para mim o que não me seja ofertado.
3. Recebo o preceito de evitar o adultério.
4. Recebo o preceito de evitar falar mal de alguém, ou ficar tagarelando.
5. Recebo o preceito de evitar álcool, tóxicos e lugares permissivos.

F) INVOCAÇÃO aos Devas:

DO INTEIRO ESPAÇO DO UNIVERSO
POSSAM CHEGAR AS DIVINDADES
A BOA DOUTRINA DO REI DOS SÁBIOS
SERÁ AQUI E AGORA OUVIDA

G) DECLARAÇÃO: É TEMPO DE OUVIR AS PROTEÇÕES  (Três vezes)

H) NAMASKÀRA, homenagem ao Buddha:

NAMÔ TASSÊ BHAGHEVETÔ ARERRATÔ SAMMÁ SAMBUDDHASSÊ!

I) QUALIDADES DO BUDDHA:

Assim em verdade é Ele, o Valioso, o Perfeito, o Supremamente Iluminado, Possuidor do Conhecimento, da Ação, Bem Realizado, Conhecer dos Mundos, Insuperável, Con-dutor de homens, Mestre dos Deuses, o Iluminado, o Sublime.

J) QUALIDADES DO DHAMMA (Doutrina):

O Dhamma foi bem proclamado pelo Sublime, imediatamente visível, tem a qualidade de estar aberto a todos, leva ao Nibbana, e deve ser compreendido individualmente pelos sábios cada um por si mesmos.

K) QUALIDADES DO SANGHA (os 28 Buddhas e os Iluminados):

A multidão dos discípulos do Sublime é bem realizada. A multidão dos Discípulos do Sublime segue o caminho que não tem desvio. A multidão dos Discípulos do Sublime anda num caminho metódico. A multidão dos Discípulos do Sublime vive a apropriada vida. São eles os Quatro Pares de Oito caracteres individuais humanos2. Esta é a multi-dão dos Discípulos do Sublime. Dignos de veneração, Dignos de hospitalidade, Dignos de oferendas, Dignos de reverência com as palmas das mãos juntas. Eles são a semeadu-ra insuplantável de mérito para o mundo.

L) BÊNÇÃOS (que devem ser repetidas no fim de cada texto:

DE ACORDO COM ESTA VERDADE POSSAM AS TRÊS JÓIAS PROTEGER VOCÊ! (Três vezes).

M) PRIMEIRO DISCURSO DO BUDDHA:

Através de muitos nascimentos
Te procurei não te encontrando,
Ó construtor da casa! Te procurava
Sofrendo nascimentos sobre nascimentos,
Ó construtor da casa! Mas tua arte está vista!

Não farás a casa outra vez
Todas as ripas foram quebradas
Foi quebrada a cumeeira
A mente está limpa das coisas
A extinção do cravejamento foi conseguida!

N) O ACONTECIMENTO DA CAUSA (Originação Interdependente):

Através da cegueira nasce a sinergia: através da sinergia nasce a cognição; através da cognição nasce a individualidade; através da individualidade nascem as seis janelas dos sentidos; através da seis janelas dos sentidos nasce o contato; através do contato nasce a sensação; através da sensação nasce a sede; através da sede nasce a cola; através da cola nasce o processo de vir-a-ser; através do processo aparece o nascimento; através do nas-cimento aparecem decadência, aflição, lamentação, sofrimento corporal, tristeza, inquie-tação. Então nasce todo um completo agregado de sofrimento.
Através da extinção da cegueira sem resíduo, em verdade, acontece a extinção da siner-gia; com a extinção da sinergia há extinção da cognição; com a extinção da cognição, a extinção a individualidade; com a extinção da individualidade, a extinção das seis esfe-ras; com a extinção das seis esferas, a extinção do contato; com a extinção do contato, a extinção da sensação; com a extinção da sensação, a extinção da sede; com a extinção da sede, a extinção da cola; com a extinção da cola, a extinção do processo; com a ex-tinção do processo, a extinção do nascimento; com a extinção do nascimento, a extinção da decadência, velhice, morte, aflição, lamentação, sofrimento corporal, tristeza, inquie-tação. E assim se extingue todo um completo agregado de sofrimento.

O) ESTROFES DAS VITORIOSAS BÊNCÃOS:

1.  Com mil guerreiros, com produzidas armas
O elefante Girimekhala, com Mara
Atacou ferozmente com todo o seu exército.
Mas através da virtude, e generosidade
Senhor dos Sábios o venceu.
Por este poder haja vitoriosas bênçãos
Para você!

2.  Mais do que Mara, atacando a noite inteira
O cruel, o obstinado yakkhá Alávaka
Foi pela abstinência e treinado método
Que o Senhor dos Sábios venceu.
Por este poder haja vitoriosas bênçãos
Para você!

3.  Nalagiri, o grande elefante, louco, bêbado
Como círculo de fogo na floresta
Veio, terrível como um raio
Mas espargindo amabilidades
O Senhor dos Sábios venceu.
Por este poder haja vitoriosas bênçãos
Para você!

4.  Segurando a espada com a levantada mão, cruelmente
O Angulimala correu a distância de três léguas.
Mas o poder da bem treinada mente
Do Senhor dos Sábios venceu.
Por este poder haja vitoriosas bênçãos
Para você!

5.  Alargando sua barriga com a lenha
Fingindo-se de mulher grávida
As corruptas palavras de Cinca entre o povo.
Mas por meio calmo da sua tranqüilidade
O Senhor dos Sábios venceu.
Por este poder haja vitoriosas bênçãos
Para você!

6.  Levantando a verdade, aquele Saccaka
Manipulava os argumentos como bandeira,
Mas fixando a mente nos blindados argumentos
A sabedoria luzindo como lâmpada
O Senhor dos Sábios venceu.
Por este poder haja vitoriosas bênçãos
Para você!

7.  O naga Nandopananda, muito sábio,
De grande poder psíquico,
Era humilhado por seu filho mais velho.
Pois através do poder do conselho
O Senhor dos Sábios venceu.
Por este poder haja vitoriosas bênçãos
Para você!

8.  Com sua são mui magoada pelo naga
Chamado errado ponto de vista,
O brahma Baka, de claro resplendor
e psíquico poder.
Pois através da medicina do saber
O Senhor dos Sábios venceu.
Por este poder haja vitoriosas bênçãos
Para você!

9.  Do Buddha estas oito estrofes de vitoriosas bênçãos
Quem com firmeza lembrar e as recitar
Destruirá vários problemas e perigos.
E o sábio poderá descobrir a Felicidade da Libertação.

P) PEDIDOS DE PROTEÇÃO CONTRA O INFORTÚNIO

a)  Qualquer mau presságio e mau agouro
Qualquer aziago rumor de pássaro
Qualquer mau planeta ou mau sonho
Torna-se nada com o poder do Buddha.
b)       ... com o poder do Dhamma.
c)       ... com o poder da Sangha.

Q) VOTOS DE SUCESSO

Possa haver todas as bênçãos
Possam todas as divindades proteger você
Pelo poder de todos os Buddhas
Possa haver bênçãos para você
...
Pelo poder de todo o Dhamma
...
Pelo poder de toda a Sangha
...
R) PEDIDOS DE PROTEÇÃO CONTRA O MAL:

Das estrelas, yakkhás e semi-deuses
Para defesa dos maus planetas
Através do poder das proteçõe
Os perigos serão destruídos.

S) FIXAÇÃO DAS PROTEÇÕES:

Todos os Buddhas são poderosos
Qualquer poder deriva dos Buddhas Silenciosos
Pelo poder dos arahánts
Nós fixamos a proteção
Em todos os aspectos.

T) MAHAMANGALASUTTAM

(O grande discurso das bênçãos, deve ser recitado para a prosperidade):

Assim foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, Bosque Jeta, no parque de Anathapindika, então, em verdade, quando a noite estava avançada, certa divindade de incomparável co-loração e luz, que iluminava completamente o Bosque Jeta, se aproximou do lugar onde estava o Sublime.
Tendo-se aproximado o saudou com reverência e sentou-se a seu lado.  Depois de senta-da, aquela divindade disse para o Sublime a estrofe:
“Muitos deuses e homens
discutem sobre as bênçãos
que trazem felicidade.
Por favor diga
qual a melhor bênção”.

(O Sublime:)
“Não se associar aos tolos
associar-se com os sábios
respeitar o respeitável:
esta é a melhor bênção.

Viver em habitação conveniente
tendo mérito realizado anteriormente
estabelecer-se na auto-perfeição:
esta é a melhor bênção.

Conhecimento profundo, habilidade nas artes
Disciplina bem treinada
Ter a melhor linguagem:
Esta é a melhor bênção.

Atender à mãe e ao pai
Cuidar dos filhos e da esposa
Ter irrepreensível profissão:
Esta é a melhor bênção.

Ser caridoso, conduzir-se bondosamente
Ajudar aos parentes
Realizar boas obras:
Esta é a melhor bênção.

Abster-se de cometer os males
Manter-se livre dos intoxicantes
Ser vigilante na prática do bem:
Esta é a melhor bênção.

Conduzir-se digna e docemente
Estar satisfeito, ser agradável
Escutar a Lei no momento próprio:
Esta é a melhor bênção.

Ser paciente, suave
Buscar a companhia dos monges
Falar da Lei no momento próprio:
Esta é a melhor bênção.

Austeridade, levar uma vida pura
Ter a visão profunda das Nobres Verdades
Realizar o Nibbana:
Esta é a melhor bênção.

Imperturbável pelas condições do mundo4
Livre da tristeza, apego e temor:
Esta é a melhor bênção.

Aquele que segue tais princípios
Nunca será vencido
Irá para a Felicidade
A qual significará para ele
A melhor das bênçãos.

PELA FORÇA DESTAS VERDADES POSSAM AS TRÊS JÓIAS PROTEGER VOCÊ! (Três vezes)

U) RATANASUTTAM

O discurso das jóias (Esta paritta, ou proteção, foi proferida pelo Senhor Buddha para salvar a cidade de Vesali, devastada pela peste, pela fome e pelos maus espíritos. Deve ser recitada contra guerras e calamidades públicas):

1.  Qualquer que sejam os espíritos aqui reunidos
Sejam da terra, sejam do ar
Possam todos ser felizes!
E que ouçam com atenção
O que será dito a seguir.

2.  Que, em verdade, todos os espíritos
Tenham amor aos seres humanos
Que fazem oferendas dia e noite
Que, em verdade, proteja-os bem.

3.  Qualquer tesouro, aqui ou em outro mundo
Ou qualquer extraordinária jóia que haja nos céus
Nenhuma é igual ao Conquistador
A jóia no Buddha é insuperável
De acordo com esta verdade
Haja felicidade!

4.  A Extinção, a Liberdade, a Imortalidade, o Supremo
Tudo o Sábio dos Sakyas, o Tranqüilo, atingiu.
Não há nada igual ao Dhamma
A jóia no Dhamma é insuperável
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

5.  O que é puro o grande Buddha glorificou
Aquela concentração ininterrupta
Nunca foi visto nada igual a ela.
A jóia no Dhamma é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

6.  Os oito indivíduos de glorificada virtude
Os cento e oito gloriosos indivíduos
Aqueles pares de Quatro5
Os discípulos do Caminhante
São Dignos de oferendas
Que dão abundantes frutos
A jóia do Sangha é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

7.  Os Bem-realizados, de mentes
Livres, isentos, na Revelação do Gotama
Realizaram aquilo que deve ser realizado
Mergulharam na imortalidade
Realizaram a obtida paz sem preço
A jóia da Sangha é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

8.  Como um poste de Indra fixo na terra
Não se move aos quatro ventos
Digo que a boa pessoa é similar a isto
Quem definitivo viu as Nobres Verdades.
A jóia na Sangha é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

9.  Aqueles que compreenderam claramente as Nobres Verdades
Bem expressas por Quem tem o Saber Absoluto
De acordo com a Plena Atenção que possam ter
Realizarão Aquilo em até oito nascimentos.
A jóia na Sangha é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

10. Quem atingiu a Introspecção
Três conceitos abandona:
A crença num “eu” individual
A dúvida e o apego.
Às regras e rituais
Livrando-se de todas.
Está livre dos Quatro Estágios de Sofrimento
Incapaz de cometer os seis grandes crimes.
A jóia na Sangha é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

11. Qualquer má ação que faça
Do corpo, palavra ou da mente
Ele nunca omite
Porque é dito que isto
É impossível para quem viu o Estágio.
A jóia na Sangha é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

12. Como a copa da floresta cheia de flores
No primeiro mês da estação de verão
Assim ele pregou o Nobre Dhamma
Que leva ao Nibbana, o mais alto benefício
A jóia no Buddha é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

13. O Nobre, o Conhecedor daquilo que é Nobre
O Doador daquilo que é Nobre
O Aceitador daquilo que é Nobre
O insuperável Ser que expôs o Nobre Dhamma
A jóia do Buddha é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

14. O passado foi destruído, não há começo
Para o novo
Suas mentes desapegadas
A um futuro existir
Eles destruíram o ovo
Seus desejos desapareceram
Como uma lâmpada aqueles sábios
Se apagam
A jóia na Sangha é excelente
De acordo com esta verdade
Possa haver felicidade!

(Estrofes de Sakka, Deus dos Deuses, a seguir:)

15. Nós, seres aqui reunidos
Sejamos da terra ou do ar
Homenageamos o abençoado Buddha
Respeitado por deuses e homens.
Possa haver felicidade!

16. Nós, seres aqui reunidos
Sejamos da terra ou do ar
Homenageamos o perfeito Dhamma
Respeitado por deuses e homens.
Possa haver felicidade!

17. Nós, seres aqui reunidos
Sejamos da terra ou do ar
Homenageamos a perfeita Sangha
Respeitada por deuses e homens.
Possa haver felicidade!

DE ACORDO COM ESTA VERDADE POSSAM AS TRÊS JÓIAS PROTEGER VOCÊ! (Três vezes)

V) KARANIYAMETTASUTTAM

Discurso da prática do amor:

Quem cultiva o Bem e busca a Suprema Felicidade deve ser hábil, capaz, correto, muito correto, amável aos bons conselhos, gentil, livre da arrogância; alegre, fácil de conten-tar, com poucas obrigações, controlado nos sentidos, discreto, cortês e não muito apega-do à família; evita conduta que possa ser censurada pelos sábios. Possam todos os seres estar felizes e seguros! Possam ter felizes desejos! Qualquer ser vivo que exista, sem dis-tinção, seja feliz, seja fraco ou forte, alto ou baixo, grande, médio ou pequeno, nascido ou por nascer, que seja feliz. Que ninguém prejudique ninguém, ou o amedronte, movi-do por vaidade, inveja ou raiva, em qualquer lugar de nenhum modo, que ninguém dese-je mal a ninguém. Assim como a mãe protege seu único filho com sua própria vida, da mesma forma para todos os seres cultivemos um coração de bondade, para cima, para baixo, e ao derredor, o amor bondoso atravessando o planeta, sem obstáculos, para atra-vessar os ódios, para atravessar as inimizades. Seja de pé, andando, sentado ou reclinado devemos desenvolver atenção, durante todo o tempo em que tivermos acordados: a isto se chama Supremo Viver como Deus. Não seguindo errado modo de interpretação, sen-do virtuoso, dotado de Introspecção, afastando a sensualidade de perto de seus sentidos - nunca mais em verdade devemos mergulhar em renascimento.

PELA FORÇA DESTA VERDADE QUE VOCÊ POSSA ESTAR SEGURO! QUE PELA FORÇA DESTA VERDADE TODOS OS SEUS PROBLEMAS DESAPARE-ÇAM! QUE PELA FORÇA DESTA VERDADE O MUNDO INTEIRO SEJA FELIZ!

X) ESTROFES RELATIVAS AOS GRANDES E VITORIOSOS AUSPÍCIOS

1.  O Protetor, cheio de compaixão
Para o benefício de todos os seres vivos
Tendo, completas, todas as perfeições
Atingiu a mais nobre e completa iluminação
De acordo com estas palavras de verdade
Possa haver vitoriosos sucessos para você!

2.  Conquistou, na árvore Bodhi,
O maior progresso de alegria para os Sákyas.
Assim possa haver vitórias para você
Possa você ser vitorioso
Possa haver vitoriosos sucessos para você!

3.  Respeitando a jóia do Buddha
A melhor e nobre medicina
Beneficiadora de Deuses e humanos
Terá a bênção, que é o poder do Buddha
Possam todos os infortúnios ser anulados
E seu sofrimento desaparecer!

4.  Respeitando a jóia do Dhamma
A melhor e nobre medicina
O alívio da aflição
Terá a bênção que é o poder do Dhamma.
Possam todos os infortúnios ser anulados
E seu sofrimento desaparecer!

5.  Respeitando a jóia da Sangha
A melhor e nobre medicina
Digna de sacrifício, digna de hospitalidade
Terá a bênção que é o poder da Sangha.
Possam todos os infortúnios ser anulados
E seu sofrimento desaparecer!

6.  Todas as jóias do mundo
Foram perdidas de diversos modos.
Não há jóia igual ao Buddha, e assim
Haja bênção para você!

7.  Todas as jóias do mundo
Foram perdidas de diversos modos.
Não há jóia igual ao Dhamma, e assim
Haja bênção para você!

8.  Todas as jóias do mundo
Foram perdidas de diversos modos.
Não há jóia igual à Sangha, e assim
Haja bênção para você!

9.  Eu não tenho outro refúgio
O Buddha é meu alto refúgio.
De acordo com esta verdade
Haja vitoriosos auspícios para você.

10. Eu não tenho outro refúgio
O Dhamma é meu alto refúgio.
De acordo com esta verdade
Haja vitoriosos auspícios para você.

11. Eu não tenho outro refúgio
A Sangha é meu alto refúgio.
De acordo com esta verdade
Haja vitoriosos auspícios para você.

12. Possam todas as calamidades ser evitadas
Possam todas as doenças desaparecer
Que não haja perigos para você.
Que você tenha longa vida.

13. Possam todos os sucessos ser para você
Possam todas as divindades proteger você
Através do poder de todos os Buddhas
Possa sempre haver felicidade para você.

14. Possam todos os sucessos ser para você
Possam todas as divindades proteger você
Através do poder de todo o Dhamma
Possa sempre haver felicidade para você.

15. Possam todos os sucessos ser para você
Possam todas as divindades proteger você
Através do poder de toda a Sangha
Possa sempre haver felicidade para você.

16. Astros, demônios ou não-humanos
Através do desvio de maus planetas
Possam todos estes infortúnios ser destruídos
Pelo poder desta proteção.
(3vezes)

PARTE DOIS




NAMÔ TASSÊ BHAGUEVETÔ ARERRATÔ SAMMÁ SAMBHUDASSÊ!

1. SARENAGAMANAM

Ir em refúgio
Buddham Sarenam Gatchámi etc.

2. OS DEZ PRECEITOS

Abster-se de destruir vida, de tomar o que não lhe for dado, de errada conduta em prazer sexual, de falar em vão; de licores espirituosos, fermentados ou destilados, lugares per-missivos ou de jogo; abster-se de se alimentar no tempo impróprio (para os monges), de dançar, cantar, tocar, visitar espetáculos; de usar guirlandas, perfumes e cosméticos; de ornamentos e ocasiões para adornos, de usar camas altas e largas, de aceitar ouro ou pra-ta.

3. QUESTÕES PARA O NOVIÇO

O que é um? Todos os seres sustentados por comida.
Dois?  Nome e forma (individualidade: mente e corpo).
Três? As três sensações (prazer, desprazer e neutra).
Quatro? As Quatro Nobres Verdades (Ver adiante).
Cinco? Os cinco fatores de apego à existência (corpo, sensação, percepção, pen-samento e consciência).
Seis? As seis esferas internas (olho, ouvido, nariz, língua, corpo e mente).
Sete? Os sete fatores de iluminação (Atenção, Investigação da Doutrina, Esfor-ço, Alegria, Tranqüilidade, Concentração, Equanimidade).
Oito? O Nobre Óctuplo Caminho (Correta Visão, Correto Pensamento, Correto Falar, Correta Ação, Correto Meio de Vida, Correto Esforço, Correta A-tenção, Correta Concentração (Ver adiante).
Nove?  As nove residências dos seres.
Dez? O chamado Arahant, que tem as dez qualidades (Ver adiante).

4. OS TRINTA E DOIS CONSTITUINTES

Há neste corpo cabelo da cabeça, pêlos do corpo, unhas, dentes, pele, carne, tendões, os-sos, tutano, rins, coração, fígado, pleura, baço, pulmão, baixo intestino, intestinos, estô-mago, excrementos, bile, catarro, pus, sangue, suor, gordura, lágrima, sebo, escarro, mu-co do nariz, fluido sinovial, urina e miolos.

5. AS REFLEXÕES

Cuidadosamente, com cuidado próprio, uso minhas vestes apenas com o fim de me pro-teger do frio, do calor, do contato com moscas e mosquitos, vento e sol e répteis, e tam-bém para cobrir as partes íntimas. Cuidadosamente, com cuidado próprio, uso minha comida não por esporte, não para o vigor humano, não como ornamento, não como a-dorno, mas apenas com o fim de segurar e sustentar este corpo, sarar suas feridas, ajudar a viver a vida santa. Então destruí as sensações do passado, não produzirei novas sensa-ções, e a continuação desta vida será levada. Esta habitação, sem erros e confortáveis, será levada. Cuidadosamente, com cuidado próprio, uso esta habitação apenas com o fim de guarda do frio, do calor, do contato com moscas e mosquitos, vento, sol e répteis, para agüentar os rigores das estações e outros perigos, e para ter a alegria no retiro. Cui-dadosamente, com cuidado próprio, uso requisitos contra doenças e oferendas de medi-camentos apenas com o fim de guarda do sofrimento que aparece quando corpo está do-ente e porque a libertação da doença é correta.

6. DISCURSO DAS DEZ QUALIDADES

Assim foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, Bosque Jeta, no parque de Anathapindika [que era homem nobre, construtor do Mosteiro Jetavana, e que apoiou o Senhor Buddha Gotama desde suas primeiras pregações], quando, em verdade, o Sublime endereçou aos monges o seguinte: “Ó monges”, disse.  “Senhor”, aqueles monges responderam.  O Su-blime disse então: "Estas dez qualidades devem ser constantemente contempladas pelo recluso. Quais são estas dez? Deve ser constantemente contemplado pelo recluso que:  ‘eu atingi o estado de não ter casta’; ‘minha casa é para outros’; ‘outra melhor conduta por mim poderia ser mantida’; ‘talvez a minha mente não me esteja acusando do meu mau procedimento’; ‘talvez um sábio companheiro de mosteiro me teste mas não me acuse de meu procedimento’; ‘haveria separação e diferença de todos aqueles que antes me foram caros e amados’; ‘sou aquele para quem o kamma [carma, a intenção da ação] é minha única propriedade, sou herdeiro de meu próprio carma, tenho carma como ma-triz, tenho carma como parente, tenho carma como refúgio, e de qualquer bom ou mal carma que eu crie serei herdeiro disto’; ‘para que noite e dia passam?’; ‘talvez poderia estar no prazer de uma quieta casa’; ‘haverá qualidades em mim além do poder do ho-mem e foi a nobre visão do Conhecimento atingida por mim?’; ‘poderia eu, durante meus últimos dias, questionado pelos monges companheiros, não ficar confuso?’. Estas dez qualidades, ó monges, devem ser constantemente contempladas pelo recluso". O Sublime disse isto.  Agradecidos, aqueles monges se alegraram com as palavras do Su-blime.

PELA FORÇA DESTA VERDADE POSSAM AS TRÊS JÓIAS PROTEGER VOCÊ!  (Três vezes)

7. MAHAMANGALASUTTAM - (Na primeira parte)

8. RATANASUTTAM – (Na primeira parte)

9. KARANIYAMETTASUTTAM - (Na primeira parte)

10. KHANDHAPARITTAM

A Proteção contra Khandha

Isto foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, Bosque Jeta, parque de Anathapindika e, nas imediações, em Savatthi, um certo monge morreu ferido por uma cobra. Então, em verdade, muitos monges se aproximaram de onde estava o Sublime, e tendo-se aproxi-mado, O saudaram e sentaram-se a um lado. Depois de sentados, em verdade, aqueles monges falaram para o Sublime deste modo: “Aqui, em Savatthi, um certo monge, tendo sido ferido por uma cobra, morreu”.

[E o Sublime disse então:] “Em verdade, ó monges, aquele monge não saturou os quatro reinos de serpentes com uma amorosa mente. Se, ó monges, em verdade, aquele monge tivesse permeado os quatro reais clãs de serpente com a mente amorosa, ó monges, em verdade aquele monge não teria morrido tendo sido ferido por uma serpente. E quais são os quatro reais clãs de serpente?  O real clã de serpente Virupakkha, o real clã de serpente Erapatha, o real clã de serpente Tchabyaputta, o real clã de serpente Kanhagotamaka. Em verdade, ó monges, aquele monge não saturou os quatro reais clãs de serpente com amorosa mente. Se, em verdade, ó monges, aquele monge tivesse saturado estes quatro reais clãs de serpente com amorosa mente, ó monges, em verdade aquele monge não teria morrido se ferido por serpente. Eu conclamo a vocês, ó monges, de permear estes quatro reais clãs de serpente com amorosa mente, para a segurança pessoal, para a proteção pessoal”. O Sublime disse isto. Tendo dito isto, o Caminhante, o Mestre outra vez proferiu assim:

1.  Meu amor está com os Virupakkhas
Meu amor está com os Erapathas
Meu amor está com os Tchabyaputtas
Meu amor está com os Kanhagotamakas

2.  Meu amor está com quem não tem pés
Meu amor está com quem tem dois pés
Meu amor está com quem tem quatro pés
Meu amor está com quem tem muitos pés

3.  Que não me fira nenhum que não tenha pés
Que não me fira nenhum que tenha dois pés
Que não me fira nenhum que tenha quatro pés
Que não me fira nenhum que tenha muitos pés

4.  Possam todos os seres, todos aqueles com vida
Possam todos aqueles que retornaram
Em sua totalidade
Possam todos ver o que é bom
Que nenhum mal venha a sofrer

O Buddha é ilimitado, o Dhamma é ilimitado, a Sangha é ilimitada, mas os corpos têm limites. Serpentes, escorpiões, centopéias, aranhas, lagartos, ratos. A segurança deles foi feita por mim. A proteção deles foi feita por mim. Possam estes seres recolher (a suas habitações).

Que eu adoro o Sublime, adoro os sete completamente iluminados.

PELA FORÇA DESTA VERDADE POSSAM AS TRÊS JÓIAS PROTEGER VOCÊ!  (Três vezes)

11. DISCURSO DOS BENEFÍCIOS DO AMOR

Isto foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, bosque Jeta, no parque de Anathapindika, quando em verdade se dirigiu aos monges: “Ó monges”. “Senhor”, aqueles monges res-ponderam.  O Sublime falou desse modo:

“Ó monges, há onze proveitos esperados do amor, da emancipação do coração, associa-do, desenvolvido, feito mais por, feito um hábito por, feita uma base de, efetivado, pra-ticado, bem nascido. E quais são os onze?
“Dorme bem, levanta-se bem, não tem maus sonhos, torna-se afetuosos aos humanos, torna-se afetuoso aos não-humanos, as divindades o protegem, nenhum fogo, veneno ou arma o afeta, sua mente fica calma rapidamente, a cor de sua face brilha, chega à morte lúcido e além disso, se ele não chegou a Compreender, quando morre vai para o mundo dos Brahmas.
“Ó monges, do amor, da emancipação do coração, associado, desenvolvido, feito mais por, feito um hábito por, feita uma base de, efetivado, praticado, bem nascido, esses on-ze proveitos são esperados”.

O Sublime disse isto. Aqueles montes se alegraram com o que disse o Sublime.

12. OS PROVEITOS DA AMIZADE

1.  Come bem (porque é bem acolhido)
Quando sai de sua casa.
Muitos dependem dele
De quem não trai os amigos.

2.  A qualquer país que vá, a qualquer centro
Ou a cidade real
Lá ele é sempre honrado
Quem não trai os amigos.

3.  Ladrões não o atacam
Nem o rei o despreza
Ele supera os inimigos
Quem não trai os amigos.

4.  Sem raiva volta pra casa
É feliz em assembléias
Ele é o melhor dos parentes
Quem não trai os amigos.

5.  É respeitado porque respeita
Reverencia e é reverenciado
Assim tem fama é glória
Quem não trai os amigos.

6.  Como ele é muito honrado
E disposto à veneração
As homenagens recebe
Na sua fama e glória
Quem não trai os amigos.

7.  Ele brilha como a luz
Brilha como um ser divino
A prosperidade não o abandona
Quem não trai os amigos.

8.  Bois lhe dão produção
O que planta recolhe
Desfruta os frutos dos filhos
Quem não trai os amigos.

9.  Na caverna ou na montanha
Ou na árvore, desfalecido
Se cai, logo consegue auxílio
Quem não trai os amigos.

10. Mesmo envelhecido
Como figueira ao vento
Não o dobram inimigos
Quem não trai os amigos.

13. A PROTEÇÃO PELO PAVÃO

1.  Este [sol], possuidor dos olhos, único rei, nasce
Sua dourada cor iluminando a terra
E então o adoro, na sua cor de ouro iluminando a terra
E hoje, protegido por você cumprirei meu dia.
Qualquer brâmane, conhecedor dos Vedas
Seja louvado e me proteja
Louvados sejam os antigos Buddhas
Louvadas sejam suas grandes vitórias
Louvados sejam os Emancipados
Louvadas sejam suas liberações!

Feita esta proteção
O pavão sai, em busca de alimento.

2.  Este [sol], possuidor dos olhos, único rei, se põe
Sua dourada cor iluminando a terra
E então o adoro, na sua cor de ouro iluminando a terra
E hoje, protegido por você cumprirei meu dia.
Qualquer brâmane, conhecedor dos Vedas
Seja louvado e me proteja
Louvados sejam os antigos Buddhas
Louvados sejam suas grandes vitórias
Louvados sejam, os Emancipados
Louvadas sejam suas liberações!

Feita esta proteção
O pavão cumpriu seu dia.

14. PROTEÇÃO PELA LUA

[Na lenda do seu eclipse]

Isto foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, no Bosque Jeta, no parque de Anathapin-dikha, quando a lua, a divina filha, foi sequestrada por Ráhu, senhor dos assuras [demô-nios]. Então, em verdade, a Lua, a divina filha, lembrou-se do Sublime e disse a seguinte estrofe:
Buddha herói, louvado sede.
sois livre de tudo,
Estou obstruída
Sede refúgio para mim!
Então, em verdade, o Sublime disse uma estrofe para Ráhu, senhor dos assuras, referin-do-se a lua, a divina filha:
No Caminhante, no Perfeito
A lua tomou refúgio
Ó Ráhu, libera a lua
Os Buddhas têm compaixão
Por todos os mundos!
Então, em verdade, Ráhu, senhor dos assuras, tendo libertado a lua, correu para onde es-tava Vepacitti, senhor dos assuras. Tendo-se aproximado, estava agitado, os cabelos agi-tados, e parou ao lado. Em verdade Vepacitti, senhor dos asuras, falou para Ráhu, se-nhor dos assuras, que estava ao lado, a estrofe:
Por que tão agitado
Ó Ráhu, se a lua foi liberada?
Por que ainda agitado
Por que parece com medo?
(Ráhu:)
Em sete partes se quebrara minha cabeça
Se vivesse não seria feliz
Se, ouvindo os versos do Buddha
Não libertasse a lua.

15. PROTEÇÃO PELO SOL

[Na lenda do eclipse]

Isto foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, no Bosque Jeta, no parque de Anathapin-dika, quando o sol, o divino filho, foi preso por Ráhu, senhor dos assuras. Então, em verdade, o Sol, o divino filho, lembrando-se do Buddha, disse a seguinte estrofe:
Buddha herói, louvado sede!
Sois livre de tudo
Estou obstruído
Sede refúgio para mim.
Então, em verdade, o Sublime disse uma estrofe para Ráhu, senhor dos assuras, referin-do-se ao Sol, o divino filho:
No Caminhante, no Perfeito
O sol tomou refúgio.
Ó Ráhu, libera o Sol
Os Buddhas têm compaixão
Por todos os mundos.
Então, em verdade, Ráhu, senhor dos assuras, tendo libertado o Sol, correu para onde es-tava Vepacitti, senhor dos assuras. Tendo-se aproximado, estava agitado, os cabelos agi-tados, e parou ao lado. Em verdade Vepacitti, senhor dos assuras, disse para Ráhu, se-nhor dos assuras, que estava ao lado, a estrofe:
Por que tão agitado
Ó Ráhu, se o sol foi liberado?
Por que ainda agitado?
Por que parece com medo?
(Ráhu responde:)
Em sete partes se quebrara minha cabeça
Se vivesse não seria feliz
Se ouvisse os versos do Buddha
E não libertasse o Sol.

16. DHAJAGGAPARITTAM

A proteção através do topo do estandarte

Isto foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, no bosque Jeta, dentro do parque de Ana-thapindika, quando, em verdade, o Sublime se dirigiu aos monges: “Ó monges”. “Sim, Senhor”, aqueles monges responderam ao Sublime. O Sublime então falou:
“Isto aconteceu há muito tempo, ó monges. Havia uma guerra entre os devas (divinos) e os assuras (demônios). Então, em verdade, ó monges, Sakka, Senhor dos Devas, se diri-giu ao deva de Tavatimsa:
“Se, ó Felizes, o medo, ou o espanto, ou o estremecimento dos cabelos do corpo apare-cer durante a batalha, então vocês devem olhar para o topo do meu estandarte.  Quem olhar para o topo do meu estandarte verá desaparecer o medo, ou o espanto, ou o estre-mecimento dos cabelos do corpo. Se vocês não puderem ver o topo do meu estandarte, olhem para o topo do estandarte de Pajápati, rei dos devas. Quem vir o topo do estandar-te de Pajápati verá desaparecer o medo, o espanto ou tremor. Se não puderem ver o topo do estandarte de Pajápati, rei dos devas, olhem para o topo do estandarte de Varuna, rei dos devas. Quem vir o topo do estandarte de Varuna, rei dos devas, verá desaparecer o medo, o espanto ou tremor. Se não puderem ver o topo do estandarte de Varuna, rei dos devas, olhem para o topo do estandarte de Isana, rei dos devas.
Quem vir o topo do estandarte de Isana verá desaparecer o medo, espanto ou tremor.
“Em verdade, ó monges, aquele que olhava para o estandarte de Sakka, Senhor dos de-vas, ou de Pajápati, rei dos devas, ou de Varuna, rei dos devas, ou de Isana, rei dos de-vas, seu medo, espanto ou tremor desaparecia ou não? E por quê?

“Porque Sakka, o Senhor dos Devas, ó monges, não estava livre da paixão, não estava livre da fúria, não estava livre da ilusão, estava amedrontado, trêmulo, cheio de medo e corria em fuga. Em verdade eu digo a vocês: Para quem que, tendo ido à floresta, senta-do na raiz de uma árvore, numa habitação vazia, aparecer o medo, espanto ou tremor, deve se lembrar de mim na solidão, desse modo:
"ASSIM AQUELE SUBLIME É PERFEITO, COMPLETO,  SUPREMAMENTE ILUMINADO, POSSUIDOR DO CONHECIMENTO E DA AÇÃO, BEM-IDO, CONHECEDOR DOS MUNDOS, INSUPERÁVEL, CONDUTOR DE HABILITADOS HOMENS, MESTRE DE DEUSES E DE HOMENS, O ILUMINADO, O SUBLIME”.

Em verdade, para quem se lembrar de mim, nenhum medo, espanto ou tremor acontece-rá. Se você não puder lembrar-se de mim, então deve lembrar-se Dhamma, desse modo:
“O DHAMMA FOI BEM PROCLAMADO PELO SUBLIME, VISÍVEL AGORA MESMO E AQUI, ABERTO A TODOS, LEVANDO (AO NIBBANA) E DEVENDO SER COMPREENDIDO INDIVIDUALMENTE POR CADA UM POR SI MESMO”.

Em verdade, ó monges, para quem se lembrar do Dhamma, nenhum medo espanto ou tremor acontecerá. Se você não puder lembrar-se do Dhamma, então você deve lembrar-se da Sangha, desse modo:
“A MULTIDÃO DOS DISCÍPULOS DO SUBLIME TEM SEGUIDO CORRETAMENTE. A MULTIDÃO DOS DISCÍPULOS DO SUBLIME TEM SEGUIDO O CAMINHO MAIS CURTO. A MULTIDÃO DOS DISCÍPULOS DOS SUBLIME TEM SEGUIDO O CAMINHO CORRETO. A MULTIDÃO DOS DISCÍ-PULOS DO SUBLIME VIVE DE MANEIRA ÓTIMA. OS QUATRO PARES DE HOMENS, OS OITO CARACTERES HUMANOS: ESTA É A MULTIDÃO DOS DIS-CÍPULOS DO SUBLIME. DIGNA DE SACRIFÍCIOS, DIGNA DE HOSPITALIDADE, DIGNA DE OFERENDAS, DIGNA DE SER REVERENCIADA COM AS PALMAS DAS MÃOS JUNTAS. INSUPERÁVEL CAMPO DE MÉRITO DO MUNDO”.

Em verdade, ó monges, para quem se lembrar da multidão dos discípulos, nenhum me-do, espanto ou tremor ocorrerá.
“Qual a razão? Porque o Caminhante, ó monges, é Digno, Completo e Supremamente Iluminado, livre da paixão, livre do ódio, livre da ilusão, não tem medo, não estremece, livre do tremor e não foge”.

O Sublime falou assim. Depois de falar, o Caminhante, o Mestre ainda disse:
1.  Na floresta ou ao pé de uma árvore
Ou numa habitação vazia, ó monges,
Lembrem-se do Supremo Iluminado,
E não haverá medo em você.

2.  Se não se lembrar do Supremo
O grande Senhor do Mundo, mais nobre dos homens
Então lembre-se do Dhamma
Bem expresso, que leva à Salvação.

3.  Se não se lembrar do Dhamma
Bem expresso, que leva à salvação
Lembre-se da Sangha
Insuperável campo de mérito.

4.  Para quem se lembrar do Buddha
Do Dhamma e da Sangha, ó monges,
Medo, espanto ou tremor
No seu corpo não haverá


SEGUNDA PARTE

17. MAHAKASSAPATTHERA BOJJHANGAM

Fatores de iluminação relatados para o velho Kássapa, o grande.

Isto foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Rajagaha, Veluvana (Bosque de Bambu), em Ka-landakanivapa (Terra de Pasto dos Esquilos), quando, naquele tempo, o venerável Kás-sapa, o grande, vivia na caverna Pipphali, mal, sofrendo, dolorosamente doente. Então, em verdade, o Sublime, à tarde, tendo saído de sua solidão, aproximou-se de onde o ve-nerável Kássapa, o grande, se encontrava. Tendo-se aproximado, sentou-se num assento que lhe foi preparado.  Então, já sentado, o Sublime falou dessa forma para o venerável Kássapa, o grande: “Como está, Kássapa? Está melhor? Como está-se alimentando? Su-as dores diminuíram? Ou aumentaram? Você acha que sua doença vai passar? Ou você acha que vai piorar?” (E Kássapa responde:) “Senhor, eu não estou melhor, não houve alívio. As dores são terríveis. Aumentam, não diminuem, estão muito longe de terminar, não diminuem”.
(O Sublime disse:) “Ó Kássapa, há estes sete fatores de iluminação, bem declarados por mim, desenvolvidos, realizados, que levam à introspecção, completa iluminação, Nib-bana.  Quais são? O fator de iluminação Plena Atenção, então, Kássapa, bem declarado por mim, desenvolvido, realizado, que leva à introspecção, completa iluminação, Nib-bana . Investigação do Dhamma (doutrina ou verdade), então, Kássapa, bem declarado por mim, desenvolvido, realizado, que leva à Introspecção, completa iluminação, Ni-banna.
Energia ..... Nibbana. Alegria ..... Nibbana. Serenidade ..... Nibbana. Concentração ..... Nibbana. Equanimidade ..... Nibbana.
Foi assim, ó Kássapa, que estes sete fatores de iluminação foram bem declarados por mim, desenvolvidos, realizados, que levam à introspecção, completa iluminação, Nib-bana.

(Kássapa:) “Verdade, Senhor, os fatores de iluminação! Verdade, Senhor, os fatores de iluminação!”
Assim falou o Sublime. Feliz, o grande Kássapa aprovava o que tinha sido dito pelo Se-nhor, levantando-se de sua doença, curado.

18. MAHAMOGGALLÀNATTHERABOJJHANGAM

Os fatores de iluminação relatados para o velho Moggallana, o Grande.

Isto foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Rajagaha, Veluvana, em Kalandakanivapa, quando o venerável Moggallana, o grande, vivia no monte Gijjhakuta (Pico dos Abutres), e esta-va mal, sofrendo, dolorosamente doente. Então o Sublime, de tarde, saindo de sua soli-dão, se aproximou de onde estava o venerável Mogallana, o grande, e tendo-se aproxi-mado sentou-se num assento preparado previamente para Ele. Então, já sentado, o Su-blime falou dessa maneira para o venerável Moggallana, o grande: “Como está, Moggal-lana? Está melhor? Como tem-se alimentado? Suas dores diminuíram? Aumentaram? Acha que sua doença vai passar? Acha que vai piorar?” (E Moggallana responde:)
“Senhor, não estou melhor, não houve alívio. As dores são terríveis. Aumentam, não diminuem, estão muito longe de terminar, não diminuem”.

(O Sublime disse:) “Ó Moggallana, há estes sete fatores de iluminação bem declarados por mim, desenvolvidos, realizados, que levam à introspecção, completa iluminação, Nibbana. Quais são? O fator de iluminação Plena Atenção, então, Moggallana, bem de-clarado por mim, desenvolvido, realizado, que leva à introspecção, completa ilumina-ção, Nibbana. O fator de iluminação Investigação do Dhamma ..... Nibbana. O fator de iluminação Energia ..... Nibbana. O fator de iluminação Alegria ..... Nibbana. O fator de iluminação Serenidade ..... Nibbana. O fator de iluminação Concentração ..... Nibbana. O fator de iluminação Equanimidade ..... Nibbana.
Foi assim, ó Moggallana ..... Nibbana.

(Moggallana:) “Verdade, Senhor, os fatores de iluminação!”
Assim falou o Sublime. Feliz, o grande Maggallana aprovava o que tinha sido dito pelo senhor, levantando-se de sua doença, curado.

19. MAHACUNDATTHERABOJJHANGAM

Fatores de iluminação relatados pelo velho Cunda, o Grande

Isto foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Rajagaha, Veluvana, em Kalandakanivapa, e neste tempo o Sublime estava mal, sofrendo, dolorosamente doente. Então, em verdade, o ve-nerável Cunda, o grande, à tarde, saindo de sua solidão, se aproximou de onde estava o Sublime. Tendo-se aproximado, fez grande reverência ao Sublime, e sentou-se a seu la-do.  O Sublime falou, então, desse modo, ao venerável Cunda, o Grande, que estava a seu lado: “Que os fatores de iluminação estejam bem claros para você, ó Cunda”.

(Cunda:) “Há, Senhor, sete fatores de iluminação que foram bem declarados pelo Su-blime, desenvolvidos ..... Nibbana. Quais são? O fator de iluminação Plena Atenção ..... Investigação do Dhamma ..... Energia ..... Alegria ..... Serenidade ..... Concentração ..... Equanimidade .....

(O Sublime:) “Em verdade são estes, ó Cunda, os fatores de iluminação, são estes”. O venerável Cunda, o grande, disse a seguir: “O Mestre está em concordância comigo”. E o Sublime levantou-se de sua doença. E então aquela doença do Sublime havia desapa-recido.

20. GIRIMANANDASSUTTAM

Discurso para Girimananda [Este sutra praticamente resume toda a Doutrina]

Isto foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Savatthi, Bosque Jeta, no parque de Anathapindika, e nesta época o venerável Girimananda estava mal, sofrendo, dolorosamente doente. En-tão, em verdade, o venerável Ananda se aproximou de onde estava o Sublime e, perto dele, reverenciou-O respeitosamente e sentou-se a seu lado. Depois de sentado, em ver-dade, o venerável Ananda falou desse modo para o Sublime: “Senhor, o venerável Giri-mananda está mal, sofrendo, dolorosamente doente. É bom, Senhor, que o Senhor se a-proxime de onde o venerável Girimananda está e tenha compaixão por ele”.

O Sublime falou, então: “Se você, Ananda, aproximar-se do monge Girimananda e de-pois proferir as dez percepções para ele, poderá ocorrer que, tendo ouvido as dez per-cepções, aquele mal que acomete o monge Girimananda imediatamente desapareça. Quais são as dez?

A percepção da Impermanência, a percepção da Inexistência de um “Eu”, a percepção das Impurezas, a percepção do Perigo, a percepção da Destruição, a percepção do Desa-pego, a percepção da Cessação, a percepção do Desencanto com Totalidade do Mundo, a percepção da Impermanência dos Pensamentos, e a Plena-atenção na Inspiração e Ex-piração.

E Ananda, o que é a percepção da Impermanência?
Aqui, ó Ananda, o monge que foi para a floresta, ou que foi para o pé de uma árvore, ou que ocupou um abrigo que encontrou abandonado, considera assim: O corpo é imper-manente, as sensações são impermanentes, as percepções são impermanentes, os pen-samentos são impermanentes, a consciência é impermanente. Assim ele vive refletindo na impermanência desses Cinco Agregados da avidez [normalmente considerados como se fosse um “eu”].
Esta é dita, ó Ananda, a percepção da impermanência.

E Ananda, que é a percepção da Inexistência de um “Eu”?
Aqui, ó Ananda, o monge que foi à floresta, ou que foi ao pé de uma árvore, ou que o-cupou um abrigo que encontrou abandonado, considera assim: - O olho é destituído de substância própria e a forma é destituída de substância própria. - O ouvido é destituído de substância própria e o som é destituído de substância própria. - O nariz é destituído de substância própria e o odor é destituído de substância própria. - A língua é destituída de substância própria e o gosto é destituído de substância própria. - O corpo é destituído de
substância própria e a sensação é destituída de substância própria. - A mente é destituída de substância própria e os pensamentos são destituídos de substâncias próprias. - Assim nessas seis esferas internas e externas ele vive, refletindo nesses destituídos de substân-cia própria.
Esta é, ó Ananda, a percepção da Inexistência de um “Eu”.

E o que é, ó Ananda, a percepção das Impurezas?
Aqui, ó Ananda, o monge considera as impurezas de várias maneiras, sentindo o corpo, dos pés ao topo da cabeça, delimitado pela pele: Neste corpo há cabelos da cabeça, pê-los do corpo, unhas, dentes, peles, carne, tendões, ossos, tutano, rins, coração, fígado, pleura, baço, pulmão, baixo intestino, intestinos, estômago, excrementos, bile, catarro, pus, sangue, suor, gordura, lágrima, sebo, escarro, muco do nariz, fluido sinovial, urina e miolos. Assim ele vive refletindo as impurezas deste corpo.
Esta é, ó Ananda, a percepção das Impurezas.

E Ananda, o que é a percepção do Perigo?
Aqui, ó Ananda, o monge que foi para a floresta, ou que foi para o pé de uma árvore, ou que foi para um abrigo que encontrou abandonado, considera assim:  Este corpo é cheio de sofrimento, este corpo apresenta muitos perigos. Pois neste corpo aparecem várias a-flições, como a doença dos olhos, como a doença da audição, a doença do nariz, a doen-ça da fala, a doença do corpo, a doença do coração, a doença do ouvido, doença da boca, doença do dente, tosse, asma, catarro, calor, febre, doença do abdômen, desfalecimento, desinteria, dor aguda, cólera, lepra, abcessos, queda da pele, consunção (tuberculose), epilepsia, erupção cutânea, sarna, crosta (ferida), arranhões de unha que infeccionam, ferimentos, doenças do sangue, da bile, afecções catarrais, afecções de golpes de ar, a-fecções dos humores do corpo, afecções das mudanças das estações, afecções derivadas dos aborrecimentos, afecções espasmódicas, afecções do mau carma, resfriados, calores, fome, sede, excreção de matéria fecal e de urina. Assim ele vive refletindo sobre os Pe-rigos do corpo.
Esta é, ó Ananda, a percepção do Perigo.

E Ananda, o que é percepção da Destruição?
Aqui, ó Ananda, o monge não preserva o pensamento concernente ao prazer sensual que nasce, mas o abandona, mas o afasta, livra-se dele, só para atingir o estado de renúncia.  Ele não preserva o pensamento de raiva que nasce ..... Não preserva o pensamento de agressão que nasce ..... Não preserva o pensamento malévolo que nasce ..... Não preser-va o pensamento inábil que nasce ..... Assim ele reflete sobre a Destruição.
Esta é, ó Ananda, a percepção da Destruição.

E o que é, ó Ananda, a percepção do Desapego?
Aqui, ó Ananda, o monge que foi à floresta, seja para o pé de uma árvore, seja para um abrigo vazio, considera assim: “Isto é calmo, isto é excelente”, e ele acalma todos os pensamentos, livra-se de todos os substratos mentais, como o desejo, atinge o desapego, a renúncia, a libertação, a não-ansiedade, a imparcialidade a serenidade, o Nibbana.
Esta é, ó Ananda, a percepção do Desapego.

O que é, ó Ananda, a percepção da Cessação?
Aqui, ó Ananda, o monge que foi para a floresta, seja para o pé de uma árvore, seja para um abrigo vazio, considera assim: “Isto é calmo, isto é excelente”, acalmando os pen-samentos, atingindo o Desapego, a imparcialidade, o Nibbana.
Esta é, ó Ananda, a percepção da Cessação.

O que é, ó Ananda, a percepção do Desencanto com a Totalidade do Mundo?
Aqui, ó Ananda, o monge, sejam quais forem os estratagemas e atrações, decisões, ade-rências e tendências de sua mente, abandona-as todas e não se prende a elas, não se en-canta com elas.
Esta é, ó Ananda, a percepção do Desencanto com a Totalidade do Mundo.

O que é, ó Ananda, a percepção da Impermanência dos Pensamentos?
Aqui, ó Ananda, o monge fica  envergonhado e desgostoso com o que se refere a todos os pensamentos que aparecem em sua mente.
Esta é, ó Ananda, a percepção da Impermanência dos Pensamentos.

O que é, ó Ananda, Plena-atenção na Inspiração e Expiração?
Aqui, ó Ananda, o monge que for para a floresta, seja para o pé de uma árvore, seja para um abrigo vazio, senta-se de pernas cruzadas, colocando seu corpo ereto, procurando a Atenção em frente de si. E ele inala atentamente, e ele exala atentamente. Inalando uma profunda inspiração ele sabe: “Estou inalando uma profunda inspiração”. Exalando uma profunda expiração, ele sabe: “Estou exalando uma profunda expiração”. Inalando uma curta inspiração, ele sabe: “Estou inalando uma curta inspiração”. Exalando uma curta expiração, ele sabe: “Estou exalando uma curta expiração”.
Ele treina:  “Estou inalando experimentando a totalidade do corpo”.
Ele treina:  “Estou exalando experimentando a totalidade do corpo”.
Ele treina:  “Estou inalando acalmando os constituintes do corpo”.
Ele treina:  “Estou exalando acalmando os constituintes do corpo”.
Ele treina:  “Estou inalando experimentando energia”.
Ele treina:  “Estou exalando ...”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando experimentando felicidade”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando experimentando os constituintes da mente”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando acalmando os constituintes da mente”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando experimentando a mente”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando fazendo a mente alegrar-se”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando manipulando a mente”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando causando a libertação da mente”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando contemplando a impermanência”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando contemplando a serenidade”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando contemplando a Cessação dos pensamentos”.
Ele treina:  “Estou inalando/exalando contemplando a Libertação”.
Assim ele treina.
Esta é, ó Ananda, a Plena-atenção na Inalação e Expiração.

Se você, Ananda, aproximar-se do monge Girimananda e proferir estas dez percepções, pode acontecer que, depois que ouvir estas dez percepções, aquela doença possa imedia-tamente desaparecer”.

Então, assim, o Venerável Ananda, tendo aprendido estas dez percepções em presença do Sublime, saiu e foi ao lugar onde estava o Venerável Girimananda.  Tendo chegado, proferiu estas dez percepções para ele.
Então daquela doença o Venerável Girimananda foi imediatamente curado. E ele levan-tou-se de sua doença, e aquela doença desapareceu.

21. ISIGILISUTTAM

Discurso sobre Isigili

Assim foi ouvido por mim:
Certa vez o Sublime permanecia em Rajagaha, no monte Isigili. Então, em verdade, o Sublime se dirigiu aos monges: “Ó monges”. “Sim”, aqueles monges responderam ao Sublime.

O Sublime então disse:
“Vocês vêem, ó monges, o monte Vebhara? “ “Sim, Senhor” (responderam). “Em ver-dade, ó monges, para o monte Vebhara não há outro nome, outra designação.
“Vocês vêem, ó monges, o monte Pandava?” “Sim, Senhor” (responderam). “Em verda-de, ó monges, para o monte Pandava não há outro nome, outra designação”.
“Vocês vêem, ó monges, o monte Vepulla?” “Sim, Senhor”. “Em verdade, ó monges, para aquele monte Vepulla não há outro nome, outra designação.
“Vocês vêem, ó monges, aquele monte Gijjhakuta?” “Sim, Senhor”. “Em verdade para aquele monte Gijjhakuta não há outro nome, outra designação”.
“Vocês vêem, ó monges, este monte Isigili?” “Sim, Senhor”. Para este monte Isigili, este tinha o mesmo nome, este tinha a mesma designação. Em tempos passados neste monte Isigili houve quinhentos Buddhas Silenciosos (Patchekabuddhas) vivendo constantemen-te ali. Eles foram vistos entrando nesta montanha, mas não foram mais vistos depois que entraram.
Vendo aquilo, as pessoas disseram assim: “Esta montanha engoliu aqueles Sábios”. Por isso o nome “Isigili”, “Isigili” [engolindo os sábios] apareceu. Ó monges, eu posso in-formar os nomes dos Buddhas Silenciosos; ó monges, Eu posso proclamar os nomes dos Buddhas Silenciosos. Ouçam isto, guardem na memória, Eu posso dizer”. Então aqueles monges de fato responderam: “Sim, Senhor”.
O Sublime falou então:
“O completamente iluminado Buddha Silencioso de nome Arittho, ó monges, viveu lon-gamente neste monte Isigili. O completamente iluminado Buddha Silencioso de nome Uparittho, ó monges, viveu longamente neste monte Isigili. O completamente iluminado Buddha Silencioso de nome Tagarasikhi, ó monges, viveu longamente neste monte. O ... Iluminado ... Yasassi, o Iluminado Sudassano, o Iluminado Piyadassi, o Iluminado Gan-dhara, o Iluminado Pindolo, o Iluminado Upasabhu, o Iluminado Nitho, o Iluminado
Tatho, o Iluminado Sutava, o Iluminado Bhavitatto, ó monges, viveu longamente neste monte Isigili.

1.  Aqueles Nobres Seres, Livres do Sofrimento, Livres do Desejo,
Conseguiram a Grande Iluminação cada um por si
Aqueles, os mais Nobres dos seres, arrancaram as estacas
Ouçam-me pois que eu proclamo seus nomes:

2.  Arittho, Uparittho, Tagarasikkhi, Yasassi,
Sudassano e o Buddha Piyadassi,
Gandhara, Pindolo e Upasabho
Nitho, Tatho, Sutava, Bhavitatto;

3.  Sumbho, Subho, Methulo e Atthamo,
E também Megha, Anigha, Sudatha,
Estes Silentes Buddhas destruíram o líder do vir-a-ser
Da existência e Hingu e Hinga, o muito poderoso;

4.  Os dois Jalis Sábios (o mais baixo e o mais alto) e Atthako
E então o Buddha Kosalo e então Subahu
Upanemisa, Nemisa, Santacitta,
Sacca, Tatha, Uiraja e Pandita;

5.  Kala, Upakala, Vijita e Jita
Anga e Pango e Gutijjita,
Passo, que abandonou a base, a rota do sofrimento
E Aparajita que venceu o poder de Mara;

6.  Satha, Pavatta, Sarabhango, Lomahamsa,
Uccangamaya, Asita, Anasava
Manomaya e Bandhumantu, o rigor da dignidade,
Tadadimutta, Vimala e Ketumantu;

7.  Ketumbaraga e Matanga, Ariya,
E então Accuta e Accutagamabyamako,
Sumangalo, Dabbila, Suppatitthita,
Asayha, Khemabhirato, e Sorato;

8.  Durannya, Sangha e então Uccaya,
O muito sábio Sayha, de perfeita energia
Ananda, Nanda, Upananda
(estes quatro três vezes nomeados) doze,
E Bharadvaja, o carregador do último corpo

9.  Bodhi, Mahanama, e então também Uttara
Kesi, Sikhi, Sumdara, Bharadvaja,
Tissa, e Upatissa, que rompeu o nó do porvir.

10. Havia o Buddha Mangalo, que abandonou a paixão
Usabho, que cortou a rota certa do sofrer;
Upanita, que atingiu o pacífico estado,
Uposata, Sundara, Saccanamo.

11. Jeta, Jayanta, Paduma e Uppala,
Padumuttaro, Lakkhito e Pabbato,
Manatthaddha, Sobhito de pacificada paixão
Kanha, o Buddhha que bem realizou-se a si mesmo.

12. Estes e outros muito poderosos
Silentes Buddhas destruíram o líder da existência
Aqueles grandes sábios foram além dos apegos

Reverenciem aqueles inumeráveis Buddhas
Que atingiram a emancipação.